quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Sentei-me numa cadeira. Estava cansada. Tinha andado tanto... o que mais queria era fugir... esquecer. Porém, antes de mais, tinha de pensar. Estava uma tarde quente. Talvez por esse motivo tivesse escolhido nessa manhã aquele vestido em tons de verde. O sol incidia sobre minhas pernas. Uma leve brisa passava por entre a verde folhagem das árvores que se erguiam por detrás de mim. Alguns pardais saltitavam à minha frente esvoaçando a cada movimento mais brusco que fizesse. Meus pés latejavam, quentes, cansados; reclamavam, de dentro das sandálias brancas, por uns minutos de descanso. Pessoas caminhavam, passavam à minha frente. Umas calmas, de mãos dadas com a sua paz de espírito; outras, perseguiam, sem sucesso, o tempo que se recusa a parar ou sequer abrandar. Ali estava eu sentada, rodeada por tudo aquilo.
Reflecti sobre o que acontecera. Revivi na minha mente vezes sem conta cada movimento, cada expressão, cada palavra, certificando-me que realmente acontecera. Quis desabafar com alguém. Quis contar, falar, dizer... mas a quem? Não, ninguém iria ficar a saber. Não tinha coragem de o contar. Fazê-lo seria admitir que tinha acontecido, seria testemunhar algo que para mim não tinha ocorrido, não podia ter ocorrido. Pela primeira vez tinha medo que olhassem para mim e me vissem, que olhassem através de mim e soubessem. Definitivamente, ninguém iria ficar a saber. Ninguém para além de mim... de nós os dois. Para ser franca nunca realmente conseguira guardar segredos de ti.
O empregado aproximou-se de mim interrompendo os meus pensamentos. Tencionava pedir um copo de sumo de maçã, no entanto com a pressa esquecera a carteira e acabei por desistir. Levantei-me e de novo comecei a pensar. De novo deixei o destino traçar o meu rumo que, num futuro próximo, me levaria a casa. Ao chegar, parei diante da porta e constatei que o meu pai não estava. Só então entrei. Fui directa à cozinha. Olhei em redor e não encontrei o que procurava. Desisti. Subi para o meu quarto encostando a porta sem no entanto a fechar.
Deitada sobre a cama fitava um ponto deserto na parede. Percorriam o meu pensamento inúmeras perguntas às quais não pretendia responder. Respirei fundo. Deixei uma única lágrima escorrer-me pela face e ser absorvida pela colcha roxa sobreposta na minha cama. Fechei os olhos. Tentei muito não pensar, mas como seria de esperar foi em vão. Estava calma. Demasiado para o que julgava normal numa situação destas.
Fitei o tecto até a luz que entrava pelas janelas não ser suficiente para ver. Nesse momento fechei os olhos. Ouvi sons que formavam uma estranha melodia de fundo. A minha mãe chegara a casa. Senti abandonar-me. Estava cada vez mais longe de tudo, incluindo de mim. Tive a sensação de ver o meu corpo deitado sobre a minha cama, abandonado, inerte, apático, imóvel. Sorri. Senti paz, senti-me feliz, senti-me bonita. Deixara de ser o meu corpo. Agora era apenas eu. O sorriso esmoreceu. Comecei a reflectir sobre como seria se fosse sempre assim... poderia a morte provocar esta sensação para uma eternidade tendencial?
Censurei de imediato o meu pensamento. Bani-o de mim. Ignorei a sua existência como se me fosse impossível comprovar ou mesmo improvável ter passado, ainda que por breves instantes, pela minha mente. Uma certa confusão originou-se em mim. Fui penetrando inconscientemente no meu inconsciente. Entrei em harmonia comigo mesma.
O leve som provocado por baterem à porta quebrou o momento. Mesmo tendo a porta apenas encostada a minha mãe sentiu necessidade de bater antes de entrar. Antes de se dirigir a mim olhou em volta. Observou rapidamente o ambiente no qual passava a maioria das minhas horas. Não se atreveu a fazer comentários. Apenas perguntou se estava tudo bem. Disse-lhe que estava com dores de cabeça, que queria descansar um pouco. Dorme, disse-me ela num tom maternal, tom que desconhecia que tivesse. Rapidamente saiu e não voltou mais.
Despi-me. Não me dei ao trabalho de me vestir, apenas me deitei. Lembrei-me daquilo que mais queria esquecer. Não o pude evitar, foi-me impossível. As lágrimas caíram umas atrás das outras. Não tive força para tentar pará-las. Fui invadida por um desespero cuja existência desconhecia. Nunca me tinha sentido tão impotente como nessa tarde. O engraçado é que só nessa noite me apercebi que perante certas situações a reacção é retardada. Respirei fundo e deixei a dor sair. Não pensava no que poderia ter feito, o que por um lado foi bom. Mas revi o que acontecera vezes sem conta. E cada vez que o fazia sentia-me morrer um pouco mais.
Chorei durante toda a noite até à exaustão. Adormeci. Não me lembro de ter sonhado, porém é possível que o tenha feito. Quis esquecer esse dia, apagá-lo da minha mente, rasgá-lo do meu calendário, passá-lo à frente. Não tive coragem para admitir que não o podia fazer. O que mais queria era não ter vivido esse dia: 13 de Março de 1995.
No momento em que acordei senti-me vazia. Vesti-me, peguei na mochila e desci para a sala. Pousei a mochila. Fui à cozinha e comi qualquer coisa. Continuava vazia e cada vez mais só. O meu pai levou-me ao aeroporto. Comportei-me. Embarcamos mais tarde do que estava previsto. Ia viajar com a minha turma. Era o último ano que passava com eles. A viajem de avião foi espectacular. O hotel onde ficamos não era muito mau. Diverti-me. Fui à praia, à piscina do hotel, comemos todos juntos, saímos à noite. Todos se deitaram à cerca de 2 horas. Não consigo dormir. Tenho medo de me lembrar.
Comprei um postal. Escrevi-lhe. Tinha prometido que o fazia. Pousei-o em cima da mesa que temos no quarto. A lua está tão luminosa, tal como eu gosto. Tive nesse momento a noção de que não valia a pena mandar-lhe o postal. Ele, o meu maior amigo, o meu único grande amigo, nunca o iria ler. Ele abandonou-me, deixou-me para trás, traiu-me. Sim, senti-me traída quando o vi ali, naquele estado deitado. Estava com o mesmo ar calmo de sempre. Olhava para mim e chamava-me com aqueles olhos que tão bem conhecia. Não tive sequer coragem de me aproximar dele naquele dia.
Estava frio... fechei a porta da varanda.
No dia anterior não tinha só sido ele a morrer. O sangue que o rodeava, que o cobria, também era meu. Ele fazia parte de mim, mas não mais do que eu fazia parte dele.
Respirei fundo pela ultima vez. Enchi-me de medo, contudo no fundo tive coragem e, tal como ele, nem se quer disse adeus.
Uma lágrima de beleza
Uma lágrima de
fantasia
Uma lágrima de
tristeza
Uma lágrima de
alegria
Uma lágrima de saudade
Uma lágrima de
solidão
Uma lágrima de
verdade
Uma lágrima de
desilusão
Uma lágrima por mim
Uma lágrima
por sofrer
Uma lágrima pelo fim
Uma lágrima por viver
...e lágrimas cairão
Por tudo...por nada...
Lágrimas serão
Até de madrugada
O melhor do amor
É a capacidade de amar...
...incondicionalmente...
De apenas sonhar,
Uma história maravilhosa
Sem inicio nem fim
Onde a maior das finalidades
Não é ficar com a pessoa amada
Mas sim, só e unicamente, amar
Amar, com um sorriso na cara
Amar, com alegria no coração
Amar, com um brilho nos olhos...
E é engraçado como,
A vida de cada um
Dava uma grande história de amor,...
Começaria com um velho «era uma vez...»
Com uma bela donzela, triste, aborrecida
Apareceria então o príncipe encantado
Montado numa CBR 1100 preta
Que salvaria a sua amada
Das garras dos pais super protectores
Numa Sexta à noite
E seria uma noite inesquecível
Tanto para ela,
Que ao chegar a casa ouviria sermão
E ficaria de castigo durante um mês;
Como para ele,
Que levara ‘’emprestada’’ a mota do irmão
Com a qual tivera um pequeno ‘’imprevisto’’...
Mas nada que pudesse estragar
O modelo a seguir pela nossa geração
Do romance ideal e prefeito,
...é verdade que, alguns anos mais tarde,
Depois do belíssimo casamento,
Eles divorciariam-se, mas seriam grandes amigos
Para todo o sempre!
... e a história varia
Consoante as personagens intervenientes.
Mas para quê criar uma história,
Uma simples ilusão,
Quando podemos criar e viver
A nossa própria aventura amorosa
Com sete amantes,
Um marido adormecido,
Um lobo todo bom,
E uma proposta indecente...
Conclusão:
O amor não é mais que um sonho que,
Ou nos faz sorrir durante todo dia
Ou nos deixa angustiados sem maior razão.
Recuso-me a sofrer,
Mais do que já sofri,
E sofri por tudo
Tantas vezes...
Recuso-me a chorar,
Mais do que já chorei,
E chorei sempre que sofri,
E sofri por tudo,
Tantas vezes...
Recuso-me a cair

Mais do que já caí,
E caí, quando chorei,
E chorei sempre que sofri,
E sofri por tudo,

Tantas vezes...
Recuso-me a matar-me,
Mais do que já me matei,
E matei-me todas as vezes que caí,
E caí, quando chorei,
E chorei sempre que sofri,
E sofri por tudo,

Tantas vezes...
Recuso-me a esvanecer,
Mais do que já esvaneci,
E esvaneci nas alturas em que me matei,
E matei-me todas as vezes que caí,
E caí, quando chorei,
E chorei sempre que sofri,
E sofri por tudo,

Tantas vezes...
Mas não sofro mais, agora amo.
E não choro mais, sorrio.
E não caio mais, agarro-me.
E não morro mais, vivo.
E não esvaneço mais, sou amada.
E não... não sou a mesma!
Recuso-me a sê-lo.
Mudei ...
Perdi muito..., mas muito ganhei.
Abdiquei de tanto..., e tanto recebi.
E não me esqueço do que fui
Mas não me quero lembrar,
E não desistirei nunca
Mas tenho medo de tentar,
E não deixo de querer
Apenas se dispersa a esperança que me resta
A que mantêm viva o sorriso que vês
O amor que sinto... por todos,
A felicidade que me escapa pelos dedos,
E que a todo o custo tento agarrar.
Estou sentada numa velha poltrona e olho pela janela. E espero.
Espero que o tempo passe.
Espero que a luz esbranquiçada do sol se torne quente e dourada.
Espero que o frio evapore do ar gélido de Inverno.
Espero que voltes.
Espero porque sinto a tua falta.
Mas não sou a única. Sei que o
mar está agitado apenas porque te foste embora. Sei que as ondas rebentam na areia num acto de desespero porque nada é igual agora que te foste. E sinto a chuva a aparecer, a tristeza é tanta que até o céu sente necessidade de chorar. Sentimos todos falta do teu sorriso.
E então eu espero.
Espero porque um dia sei que voltarás. Sei que um dia voltará a ser
verão. Sei que um dia o sol voltará a brilhar com toda a sua força. E o mar acalmará e suavemente irá molhar a areia convidando-te a molhares os pés. E as minha lágrimas secarão e serão substituidas pelo sorriso que só tu sabes provocar em mim. E o MUNDO deixará de ser a preto e branco, porque só tu me fazes pensar em cores.
Até lá eu espero.
Espero por ti. Espero pelo pedaço de mim que tu levaste contigo no dia em que partiste. Espero. Mas não tenho pressa. Espero ao ritmo dos
grãos de areia na ampulheta. Espero um dia de cada vez. Tenho em mim a paciência típica do tempo. Tenho a calma de uma noite de luar. Não me importo de esperar, tenho a vida toda. E o sol sorri porque me compreende, porque lá do alto também te vê a sorrir. E eu sorrio.
E tu também esperas, eu sei.
E pouco a pouco o tempo passa. Fecho os olhos e relembro mil e um momentos passados juntos. As recordações trazem com elas a saudade do passado e a ansiedade de um futuro ainda distante.
Mas eu espero.
Espero com a tristeza do dia da tua partida mas também com a alegria do dia do teu regresso. O tempo passa, os dias e os meses mudam, as pessoas alteram os seus sonhos mas eu continuo à espera. E a espera dá-me forças, dá-me esperança, dá-me um objectivo para continuar.
E portanto eu espero. Enquanto espero, vivo. Não deixei que a tua partida me matasse. Não podia fazê-lo. Isso seria trair o sentimento que sempre nos acompanhou. Vivo por ti. Vivo por mim. Vivo para que tudo o que vivemos não caísse no esquecimento.
Tenho uma vida diferente daquela que tinha quando passamos a nossa vida juntos. Mas por muito ocupada e preenchida que a minha vida seja, guardo sempre um tempinho para me sentar à janela e esperar por ti. E espero por tudo o que está para vir antes e depois de ti. Mas espero principalmente pelo momento em que voltes para casa, pelo momento em que voltes a abraçar-me e a partilhar a tua alma comigo. Acredito que o destino já esteja escrito, que o futuro esteja já traçado de modo a vivermos o que nos está reservado. E não sei se o destino me irá permitir partilhar ainda mais momentos maravilhosos contigo, mas vou esperar que sim.
E por isso espero por ti.
Espero pela tua volta. Espero pelo meu destino.
E não é por te amar que espero. O que me une a ti é maior que isso, é mais forte, é superior, não liga ao tempo que passa, não liga à distância física, não liga a outras pessoas que possam entrar na nossa vida. E é isso que me faz esperar por ti. É isso que me leva a chorar com as marés. É isso que me leva a sorrir com o calor do sol. É isso que me segura quando a vida me tenta derrubar. É isso que me dá coragem para lutar contra a ameaça eminente da morte nos momentos depressivos.
E continuo a esperar por ti á medida que o sol se pôe e que o dia escurece. E mesmo quando estou distraída com os acontecimentos do dia a dia, que preenchem o meu presente, espero por ti. A minha alma não voltará a estar completa até eu voltar a olhar-te nos olhos e ver neles o meu sorriso.
Até lá vou esperar. Espero porque a espera não é um sacrificio, mas sim uma escolha. Espero porque a distância não é capaz de nos separar. Espero porque sinto que a nossa história ainda mal começou. Espero porque sim. É impossível não esperar. Continuar com a minha vida é esperar por ti. Olhar para o céu prolongadamente é esperar por ti. Sentir o calor do sol é esperar por ti. Sorrir com o aparecimento da primeira flor mesmo antes de ser Primavera é esperar por ti. Sentar-me aqui à janela é esperar por ti.
Quer queira quer não vou esperar por ti. Tal como o mar que, quer saiba ou não, espera por ti. É inevitável. É o curso natural da vida. Tdos nós esperamos por algo na vida. Todos temos um desejo bem lá no fundo do nosso coração que não conseguimos evitar. O meu é ter-te de volta. Porque tu nunca saíste da minha vida nem nunca sairás. Não posso evitar esperar por ti.
E sim, inicialmente teres ido embora foi sinónimo de sofrimento e dor. Mas esperar que voltes é ter esperança, é um desejo íntimo que me leva pra frente e não me deixa parada no tempo.
Então sento-me aqui, quer chova quer faça sol. Sento-me e espero por ti. Espero pelo momento do nosso reencontro. Espero. Ás vezes custa um pouco mais que outras, ou porque as saudades apertam ou porque a paciência encurta, mas mesmo assim espero. Não desisto de esperar. É maior que eu, não posso evitar.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Dói-me a solidão...
Custa-me respirar quando olho à volta e me defino, quando me vejo a mim sem ver mais ninguém. Fixo o meu olhar num espelho tentando reconhecer no meu reflexo alguém conhecido mas não eu...
E fecho os olhos para não ver o que não tenho, como se isso impedisse de sentir a falta... Fecho os olhos para, em vão, impedir as lágrimas de cair e de sentir o seu ardor ao suavemente acariciarem o meu rosto... Fecho os olhos para deixar de existir, e deixar de ter o que tenho e de não ter o que não tenho... Fecho os olhos para deixar de ser.
Quando os abro, finalmente, sinto-me bem dentro de mim... Muito longe e indiferente de tudo à minha volta... desligo-me do mundo e sento-me no meu canto, não há ninguém que se venha sentar a meu lado apenas fazer-me companhia.
Fico tão longe, tão longe... que nem a chuva é capaz de me molhar.
Fico tão longe... nem o vento é capaz de me tocar.

Só precisava de um amigo... alguem que me fizesse companhia e evitasse que eu fosse abaixo....

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Lost

Sinto-me tão perdida...
É tudo tão MAIOR do que eu... a vida, o futuro, as escolhas, a solidão...
nem quero falar

Pensamento do dia

Pensamento do dia
A hug