Se fores... VAI MAIS LONGE!
Se imaginares... IMAGINA TUDO!
Se fizeres... FAZ DIFERENTE!
Se tentares... TENTA ATÉ CONSEGUIRES!
Se rires... RI ATÉ CHORARES!
Se desejares... DESEJA TUDO!
Se sonhares... SONHA MAIS ALTO!
Se beijares... BEIJA COM PAIXÃO!
Se arriscares... ARRISCA TUDO!
Se pensares... PENSA POR TI!
Se saíres... SAI DA ROTINA!
Se mudares... MUDA TUDO!
Se contares... CONTA COMIGO!
Faças o que fizeres.... SÊ FELIZ!
You have entered my soul... keep in mind that this is me at my truest form.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
1000agres
Do lado de fora do café ele esperava. Na rua, ao frio, ele esperava. Esperava por alguém que lhe era querido.
Nem sempre a seguia mas agora andava preocupado. Achava que alguma coisa estava para acontecer à sua menina. Era assim que a via: como uma menina pequenina que brincava num dia de primavera. A sua roupinha também pequenina quase que a tornava numa bonequinha. Mas o tempo havia passado. Ela já não era uma menina pequenina. Ele simplesmente já não era. Mas continuava a gostar dela do mesmo modo. Nada no mundo iria mudar isso. Continuava a querer protegê-la.
Estranho é que nem entrou. Estranho foi ter ficado do lado de fora à espera. E nem a observava… apenas esperava. Esperava que saísse. Esperava que algo acontecesse. Esperava pelo momento certo. Esperava que ela precisava dele. Não sei… mas esperava. Talvez não quisesse incomodá-la. Talvez não quisesse interferir na sua vida. Talvez… não sei. Só sei que nessa noite esperava por ela. Esperava em pé, do lado de fora do café, olhando para nenhum lado em concreto. Teria saudades?! De certeza que sim… mas não era só isso. Havia mais alguma coisa, mas não cheguei a entender. Tive de parar de olhar antes de perceber mais. Mas no fundo não faz mal… essa mensagem não era para mim,… não tinha nada que me meter.
Nem sempre a seguia mas agora andava preocupado. Achava que alguma coisa estava para acontecer à sua menina. Era assim que a via: como uma menina pequenina que brincava num dia de primavera. A sua roupinha também pequenina quase que a tornava numa bonequinha. Mas o tempo havia passado. Ela já não era uma menina pequenina. Ele simplesmente já não era. Mas continuava a gostar dela do mesmo modo. Nada no mundo iria mudar isso. Continuava a querer protegê-la.
Estranho é que nem entrou. Estranho foi ter ficado do lado de fora à espera. E nem a observava… apenas esperava. Esperava que saísse. Esperava que algo acontecesse. Esperava pelo momento certo. Esperava que ela precisava dele. Não sei… mas esperava. Talvez não quisesse incomodá-la. Talvez não quisesse interferir na sua vida. Talvez… não sei. Só sei que nessa noite esperava por ela. Esperava em pé, do lado de fora do café, olhando para nenhum lado em concreto. Teria saudades?! De certeza que sim… mas não era só isso. Havia mais alguma coisa, mas não cheguei a entender. Tive de parar de olhar antes de perceber mais. Mas no fundo não faz mal… essa mensagem não era para mim,… não tinha nada que me meter.
Vem embrulhar-me no teu abraço e aquecer-me com o teu olhar profundo e apaixonante. Acende-me a luz pois não consigo ver o caminho. Dá-me a mão pois tenho medo de me perder. Leva-me até à cama quando anoitecer e juntos veremos as estrelas no céu, juntos sonharemos sob o olhar meigo da lua. Acorda-me com o beijo da manhã, quente como o sol num dia de verão, fresco e sumarento como fruta, doce como mel… Acorda-me e faz-me despertar para a vida. E sozinha abrirei os olhos e enfrentarei o dia. A energia irá fluir em mim e serei capaz de ultrapassar qualquer obstáculo e de seguir em frente… E no final de cada dia voltarás a embrulhar-me no teu abraço e a aquecer-me com o teu olhar.
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
...Honey...
O sol brilhava. Ainda brilhava. Mesmo depois de tudo. Ela não era capaz de perceber como isso podia acontecer. O mar vinha ter com ela em cada onda que rebentava na areia. Mas depressa recuava. Tudo se afastava. Tudo a magoava. Era o vento que lhe cortava como uma faca de tão gelado que se mostrava. E era o sol que brilhava la do alto, lembrando-lhe que o que sentia não importava minimamente. Era o mar, brusco e severo, que ameaçava constantemente molhá-la mas nem se dava ao trabalho de o fazer... nem isso merecia. E era o tempo que se recusava a parar um pouco que fosse e ficar à sua espera.
Os sons abafavam a pouca racionalidade que podia ter. Não era capaz de pensar. Ela apenas sentia. Ela apenas sofria. E esse sofrimento insistia em esmagá-la por dentro deixando o seu exterior intacto, como se nada se passasse. Mas passava-se algo. Obviamente passava-se algo. E era algo que a levava ao desespero. Um desespero interior que tinha uma origem, mas que não parecia ter uma razão de existir. Um desespero que era maior que ela. Não fazia ideia de como controlá-lo, como reduzir os seus impactos negativos. No fundo preferia ser levada. Preferia deixar-se ser corroída até ao ultimo pedaço de alma.
E entao o sol desistiu. A lua acariciou-a com o seu olhar suave. E a noite secou-lhe as lágrimas que lhe caíram há tantas horas que havia já perdido a conta. O vento cessou. E a réstia da brisa que ainda se fazia sentir acalmou a sua respiração sufocada pelo choro. O mar, sentindo-se mais sereno, convidou-a a entrar, a juntar-se a ele na sua imensidão. Pela primeira vez, em muitas horas, sentiu-se amada. A esperança surgiu bem lá dentro de si e foi-se alastrando por todo o seu corpo como uma fonte de calor interna. Espontaneamente um sorriso escapou-lhe dos lábios e ali permaneceu. Continuava com um olhar distante mas os seus pensamentos estavam cada vez mais próximos. Soltou o cabelo deixando-o ondular ao sabor da brisa. Respirou fundo inspirando toda a coragem que lhe tinha faltado nesse dia. Sentiu-me bem. Sentiu-me maior do que alguma vez se tinha sentido. Sentiu-me invencível. Nesse momento ninguém seria capaz de a deitar abaixo. O seu sorriso cresceu como se quisesse brotar de dentro dela e passar a ter existência própria. A calma emanava dela como se tratasse de uma essência única e maravilhosa, capaz de seduzir qualquer um que estivesse no seu alcance.
Levantou-se da areia sacudindo levemente a sua roupa. Não tinha noção, mas estava mais bela que nunca. Ninguém sabia dizer especificamente o que nela havia mudado contudo estava totalmente diferente. Tinha um brilho, uma espécie de aura indescritível que a fazia sobressair no meio de qualquer multidão. Algo nela era tão especial que não havia palavras que pudessem descrevê-la. Mas por onde quer que passasse deixava no ar o mistério irresistível, típico do oriente. Descalça, foi caminhando pela areia seca mas fria. Mais que caminhar, ela parecia flutuar. Para todos não podia ser mais que uma miragem, tal era a incapacidade de acreditar em tal anjo.
Saiu da praia. Os olhares de quem passasse centravam-se nela como um íman. Era-lhes impossível desviar o olhar. E não era algo relacionado com o prazer carnal, não. Estava muito mais próximo do divino, espiritual. Não era o corpo dela que prendia a atenção, mas sim a sua energia que estava muito para além de qualquer metáfora pois nada irradiava tal poder de atracção. Com toda a sua paz andou até casa. Passou casas, carros, pessoas. A iluminação da rua não se equiparava à luz que provinha do sorriso que com todos gratificava.
Não se pode dizer que o que sentia era felicidade. Estava muito para além disso. A felicidade é momentânea, é efémera, é exacerbada. O que ela sentia era calmo. Era de tal modo duradouro que podia dar-se ao luxo de partilhar com todos que nunca diminuiria. Mas por muito que partilhasse ninguém conseguia chegar aquele ponto em que ela se encontrava. Talvez, em parte, fosse isso que fizesse dela alguém tão especial. Era mais do que alguém alguma vez tinha sido.
Parou à porta de casa. Sentou-se no passeio com o seu sorriso, a sua paz, a sua beleza, o seu brilho. Nunca estaria sozinha. Todas as estrelas viram a sua chama esvanecer um pouco. Eu suspeito que se tratava de ciúmes mas não posso afirmá-lo com certeza. Se pudesse tinha-me sentado ao lado dela. Sabia que ela esperava pelo seu destino com a quietude que só o silêncio é capaz de ter. E ela também o sabia. Esperava-o porque sabia como iria ser perfeito, sabia como iria encaixar lindamente com tudo o que de bom e de mau estava para acontecer. Sabia que a sua vida nunca seria um mar de rosas mas ninguém como ela para reconhecer o verdadeiro valor dos espinhos. Já tinha passado por tanto que tratava por tu a dor e o sofrimento. Agora sabia sorrir-lhes, dar-lhes um beijo na face e desejar-lhes uma boa noite. Sabia que nem sempre uma lágrima era o melhor, ainda que fosse normalmente o mais fácil. E não era apenas uma máscara atrás da qual escondesse a sua verdadeira emoção. Não, era muito mais que isso. Era uma consciência integral da vida como um todo. Era uma certeza absoluta de que alguém cá de cima iria olhar por ela, que alguém iria endireitar algumas das linhas tortas do destino, que alguém iria sorrir sempre que ela sorrisse e chorar sempre que os seus olhos quisessem lacrimejar. Esse alguém seria desde logo eu. Era o meu papel ser o seu anjo da guarda desde o primeiro segundo após o meu perecimento. Era eu quem garantia essa esperança e calma que ela estava a sentir e ela sabia-o. Estava finalmente a cumprir a minha missão de vida. Estava a ser mais do que eu. Ela permitia que fosse muito mais que isso. Éramos tão parecidas em vida que agora éramos quase uma só pessoa, ainda que eu tivesse a hipótese de ser omnipresente. Um dia também ela virá a ser um anjo, mais do que já o é. Mas não há pressas. A vida ainda tem demasiadas coisas para ambas vivermos. Por isso apenas lhe digo: “Até um dia, não muito em breve! I’ll always keep on loving you, honey”
Os sons abafavam a pouca racionalidade que podia ter. Não era capaz de pensar. Ela apenas sentia. Ela apenas sofria. E esse sofrimento insistia em esmagá-la por dentro deixando o seu exterior intacto, como se nada se passasse. Mas passava-se algo. Obviamente passava-se algo. E era algo que a levava ao desespero. Um desespero interior que tinha uma origem, mas que não parecia ter uma razão de existir. Um desespero que era maior que ela. Não fazia ideia de como controlá-lo, como reduzir os seus impactos negativos. No fundo preferia ser levada. Preferia deixar-se ser corroída até ao ultimo pedaço de alma.
E entao o sol desistiu. A lua acariciou-a com o seu olhar suave. E a noite secou-lhe as lágrimas que lhe caíram há tantas horas que havia já perdido a conta. O vento cessou. E a réstia da brisa que ainda se fazia sentir acalmou a sua respiração sufocada pelo choro. O mar, sentindo-se mais sereno, convidou-a a entrar, a juntar-se a ele na sua imensidão. Pela primeira vez, em muitas horas, sentiu-se amada. A esperança surgiu bem lá dentro de si e foi-se alastrando por todo o seu corpo como uma fonte de calor interna. Espontaneamente um sorriso escapou-lhe dos lábios e ali permaneceu. Continuava com um olhar distante mas os seus pensamentos estavam cada vez mais próximos. Soltou o cabelo deixando-o ondular ao sabor da brisa. Respirou fundo inspirando toda a coragem que lhe tinha faltado nesse dia. Sentiu-me bem. Sentiu-me maior do que alguma vez se tinha sentido. Sentiu-me invencível. Nesse momento ninguém seria capaz de a deitar abaixo. O seu sorriso cresceu como se quisesse brotar de dentro dela e passar a ter existência própria. A calma emanava dela como se tratasse de uma essência única e maravilhosa, capaz de seduzir qualquer um que estivesse no seu alcance.
Levantou-se da areia sacudindo levemente a sua roupa. Não tinha noção, mas estava mais bela que nunca. Ninguém sabia dizer especificamente o que nela havia mudado contudo estava totalmente diferente. Tinha um brilho, uma espécie de aura indescritível que a fazia sobressair no meio de qualquer multidão. Algo nela era tão especial que não havia palavras que pudessem descrevê-la. Mas por onde quer que passasse deixava no ar o mistério irresistível, típico do oriente. Descalça, foi caminhando pela areia seca mas fria. Mais que caminhar, ela parecia flutuar. Para todos não podia ser mais que uma miragem, tal era a incapacidade de acreditar em tal anjo.
Saiu da praia. Os olhares de quem passasse centravam-se nela como um íman. Era-lhes impossível desviar o olhar. E não era algo relacionado com o prazer carnal, não. Estava muito mais próximo do divino, espiritual. Não era o corpo dela que prendia a atenção, mas sim a sua energia que estava muito para além de qualquer metáfora pois nada irradiava tal poder de atracção. Com toda a sua paz andou até casa. Passou casas, carros, pessoas. A iluminação da rua não se equiparava à luz que provinha do sorriso que com todos gratificava.
Não se pode dizer que o que sentia era felicidade. Estava muito para além disso. A felicidade é momentânea, é efémera, é exacerbada. O que ela sentia era calmo. Era de tal modo duradouro que podia dar-se ao luxo de partilhar com todos que nunca diminuiria. Mas por muito que partilhasse ninguém conseguia chegar aquele ponto em que ela se encontrava. Talvez, em parte, fosse isso que fizesse dela alguém tão especial. Era mais do que alguém alguma vez tinha sido.
Parou à porta de casa. Sentou-se no passeio com o seu sorriso, a sua paz, a sua beleza, o seu brilho. Nunca estaria sozinha. Todas as estrelas viram a sua chama esvanecer um pouco. Eu suspeito que se tratava de ciúmes mas não posso afirmá-lo com certeza. Se pudesse tinha-me sentado ao lado dela. Sabia que ela esperava pelo seu destino com a quietude que só o silêncio é capaz de ter. E ela também o sabia. Esperava-o porque sabia como iria ser perfeito, sabia como iria encaixar lindamente com tudo o que de bom e de mau estava para acontecer. Sabia que a sua vida nunca seria um mar de rosas mas ninguém como ela para reconhecer o verdadeiro valor dos espinhos. Já tinha passado por tanto que tratava por tu a dor e o sofrimento. Agora sabia sorrir-lhes, dar-lhes um beijo na face e desejar-lhes uma boa noite. Sabia que nem sempre uma lágrima era o melhor, ainda que fosse normalmente o mais fácil. E não era apenas uma máscara atrás da qual escondesse a sua verdadeira emoção. Não, era muito mais que isso. Era uma consciência integral da vida como um todo. Era uma certeza absoluta de que alguém cá de cima iria olhar por ela, que alguém iria endireitar algumas das linhas tortas do destino, que alguém iria sorrir sempre que ela sorrisse e chorar sempre que os seus olhos quisessem lacrimejar. Esse alguém seria desde logo eu. Era o meu papel ser o seu anjo da guarda desde o primeiro segundo após o meu perecimento. Era eu quem garantia essa esperança e calma que ela estava a sentir e ela sabia-o. Estava finalmente a cumprir a minha missão de vida. Estava a ser mais do que eu. Ela permitia que fosse muito mais que isso. Éramos tão parecidas em vida que agora éramos quase uma só pessoa, ainda que eu tivesse a hipótese de ser omnipresente. Um dia também ela virá a ser um anjo, mais do que já o é. Mas não há pressas. A vida ainda tem demasiadas coisas para ambas vivermos. Por isso apenas lhe digo: “Até um dia, não muito em breve! I’ll always keep on loving you, honey”
Dou-te um abraço maior do que EU porque contigo sou o passado, o presente e o futuro.
Olho para ti e vejo a tua alma porque compreendes-me sem que precise usar pa-la-vras.
Partilho contigo a musica que foi ditando, e ainda dita, o *r*i*t*m*o* da minha vida porque só tu pareces saber a letra de cor.
Tocamos lágrimas e sorrisos porque mesmo sem que seja necessário dar permissão tudo o que é teu é meu e tudo o que é meu é teu também.
Resistimos à d...i...s...t...â...n...c...i...a e ao tempo porque nós constituímos o .ponto fulcral da teoria da relatividade de Einstein.
Somos eu e tu porque temos corpos separados, caso contrário seríamos mais que uma simples +soma+.
;)
Olho para ti e vejo a tua alma porque compreendes-me sem que precise usar pa-la-vras.
Partilho contigo a musica que foi ditando, e ainda dita, o *r*i*t*m*o* da minha vida porque só tu pareces saber a letra de cor.
Tocamos lágrimas e sorrisos porque mesmo sem que seja necessário dar permissão tudo o que é teu é meu e tudo o que é meu é teu também.
Resistimos à d...i...s...t...â...n...c...i...a e ao tempo porque nós constituímos o .ponto fulcral da teoria da relatividade de Einstein.
Somos eu e tu porque temos corpos separados, caso contrário seríamos mais que uma simples +soma+.
;)
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
.......................................................................................................................................................................Para a DANA
por favor diz-me que arranjas um tempinho nestas "férias" de Natal pra estares COMIGO... pra tirarmos montes de fotos a tudo o que é belo e que nos fascina. Recuso-me a ser só nesta altura e a minha alma tem sido um livro aberto pra ti...
Beijo grande
ADOROTE Honey
porque uma hitória nunca tem uma só prespectiva...
Ela
Disse-lhe que não precisava dele para nada. Devo ter sido convincente ao fazê-lo. Pelo menos ele acreditou. Não estava a ser sincera quando o disse. Pensava que ele sabia. Pensei que levasse na brincadeira. Esperava que mandasse uma daquelas bocas foleiras que me enervam e me chateiam. Não o fez. Deixou-se ficar calado. Definitivamente pensou que estava a falar a sério. Por esse motivo levantou-se e foi-se embora. Eu, orgulhosa como sempre, não o impedi. Deixei-me ficar só. Deixei que me abandonasse. As pessoas foram passando por mim. O tempo também. Fiquei sentada naquele banco de jardim até me aperceber que ele não ia voltar. Fui para a paragem. Era já tarde tinha de ir para casa. A escuridão substituiu a luz do dia. Cada minuto que passava deixava-me com um vazio cada vez maior. Não conseguia acreditar que lhe tinha dito o que lhe disse. Repreendi-me milhões de vezes. Pensei nos inúmeros inconvenientes de ser orgulhosa. Achei que depois do que se tinha passado que não havia nada mais a dizermos um ao outro. Que hipóteses havia de haver algo entre nós após aquela conversa. Senti a sua falta como nunca tinha sentido.
Desisti de esperar. Comecei a andar. Fui para casa a pé. Pensei. Pensei em tanto que não tenho bem a certeza em que foi, concretamente, que pensei. Passei por uma cabine telefónica pública. Era de cartão. Tirei o meu da carteira. Fiquei parada em frente ao telefone sem saber se haveria de telefonar ou não. Não me conseguia decidir. Pensei que se um carro branco, a sua cor preferida, passasse que era o destino a dizer-me para telefonar. Esperei um minuto não passou. Pensei que tinha de esperar pelo menos cinco minutos. Foi o que fiz. Não passou nenhum carro branco. Retomei o caminho. Pensei que se calhar era melhor assim. Passaram dois carros brancos logo de seguida. Voltei atrás. Tinha de telefonar. Mas, por outro lado, o facto de passarem depois de me ter vindo embora poderia querer dizer que o melhor era não telefonar. Não tinha a mínima ideia do que deveria fazer. Peguei no auscultador do telefone. Não cheguei a marcar o número dele. Não sabia sequer o que havia de dizer. Pousei o auscultador. Voltei a pegar nele, marquei o número. Estava ocupado. Era definitivamente um sinal para não lhe telefonar.
Continuei a caminhada. Liguei o walkman. Fui desfrutando da música. Não havia nada que pudesse fazer naquele momento. Tudo havia de se compor. Cheguei a casa. Não estava ninguém. Estranhei. Subi para o quarto. Liguei o rádio. Subi timidamente o som contando constantemente com a chegada da família. Pensei na estupidez do que tinha feito. Mas não era capaz de me rebaixar. Depois de tantos anos ele já devia saber como eu era. Tinha a obrigação de me conhecer melhor que aquilo. A culpa tinha também sido dele. Possivelmente teria sido ele a querer terminar por ali o assunto. Eu podia estar a interpretar mal aquela conversa. O futuro do qual ele se estava a referir, a partilha da vida da qual falou podia ser referente a outra pessoa. Que burra... eu pensava que ele podia estar a referir-se a mim. Claro que não. Decididamente eu não iria voltar a tocar no assunto. Se ele não gostava de mim o que é que havia a dizer. Nada. Nada mesmo. Teríamos uma conversa como qualquer outra. Como se nada se tivesse passado.
Passou-me totalmente que no dia seguinte tínhamos um encontro com mais amigos. Felizmente uma amiga telefonou-me. Passei a tarde a escolher a roupa a usar. Ele iria. Não queria admitir que isso me estava a deixar nervosa mas, na verdade, estava. Optei por um vestido preto confortável porém ao mesmo tempo um pouco sensual. Quando cheguei ao local de encontro ainda faltava gente, nomeadamente ele. Esperamos até às 10 horas. O irmão dele foi um dos últimos a aparecer e disse que não ele estava muito interessado em vir. Realmente não apareceu.
Acabamos por entrar na sala. Não prestei a mínima atenção ao filme. Saí antes do filme terminar. Não aguentava mais. Disse ao pessoal que não estava lá muito bem, que iria à casa de banho. Combinei-me encontrar-me com eles mais tarde à saída. Saí. Olhei em volta. Resolvi sentar-me na esplanada de um café junto à saída. Pensei nele. Pensava em como seria quando nos víssemos. A minha vontade era dizer-lhe que gostava imenso dele. Gostava de lhe confessar o meu amor que durava já à um ano e cinco meses. Mas não podia revelar que o que sentia por ele era mais que amizade. Se não fosse correspondido perderia o melhor amigo que alguma vez tinha tido.
Pedi uma garrafa de água natural. Bebi. Deixei-me estar a apreciar o movimento que se instalara gradualmente à minha volta. Pares, de mãos dadas, passeavam, conversavam, beijavam-se. Amigos, reunidos à volta de uma mesa, riam-se com as brincadeiras e histórias que surgem. Quanto mais barulho ouvia em meu redor, mais silenciosa me sentia. Olhava constantemente para a porta de saída do cinema. Derrepente vi-o. Levantei-me, como que por um impulso, para o chamar. Pensei que afinal tinha resolvido aparecer. Mais valia tarde do que nunca. No entanto não o chamei. Voltei a sentar-me como se me tentasse esconder. Ele não estava só. Sim, estava acompanhado de uma rapariga que nunca antes tinha visto. Odiei-o. Ele sorria-lhe imenso. Segui-os de longe. Ela metia-se constantemente com ele. Ele ria-se. Ela abraçava-o. Ele passava com a mão pelo cabelo dela. Tudo muito carinhosamente. Era, com certeza, a sua namorada. Era ela a tal e não eu. O pessoal saiu do cinema e viu-o. Ele cumprimentou-os. Apresentou-a também. Todos se riram com algo que ela deve ter dito. Olharam em volta. Talvez me procurassem. Não tive coragem de aparecer. Acabei por ir para casa. Ao longo do caminho parei nos locais onde costumávamos parar para conversarmos. Chorei. Deixei transparecer a minha vulnerabilidade. Quando retomei o caminho de casa estava já mais calma.
Voltei a vê-lo mais vezes. Nunca lhe disse nada. Agora que namorava não valia a pena. Cada vez que puxava o assunto eu mudava o rumo da conversa. Não podia imaginar o quanto me magoava saber que gostava dele. E ainda mais saber que esse sentimento não era recíproco. Cheguei mesmo a levantar-me quando ele tocava na questão, inventando alguma desculpa. Acabei por lhe dar a entender que se tratava de um assunto no qual me custava tocar. Ele não fazia ideia do quanto gostava dele. Muitas vezes, enquanto me falava, ficava a olhá-lo. Imaginava como seria beijá-lo. Tentava banir os meus pensamentos com medo que de algum modo os pudesse ouvir e descobrisse.
Houve um dia em que estive para lhe dizer tudo o que tinha ficado por dizer naquele dia. Porém desta vez foi ele quem não quis ouvir. Respeitei a sua decisão. Não toquei mais no assunto. Entretanto as férias apareceram. Eu fui para fora. Não fiz nada de especial. Quando cheguei todos tinham tanto que contar que me senti mal. Não tinha feito um amigo sequer. Quando estávamos com os amigos só ouvia bocas relacionadas com raparigas e com ele. Queria saber pormenorizadamente o que se tinha passado. Todavia não me queria que parecesse que me queria meter na vida dele.
Quando apareceu um rapaz interessado em mim, eu contei-lhe. Ele apenas me disse: "Ai sim... então, parabéns! ". Senti uma raiva. Recusei-me a voltar a conversar com ele seriamente. Também, ele deixou de aparecer. Perdemos a amizade que nutríamos. Raramente nos víamos. Tratávamo-nos, das poucas vezes que nos víamos, cordialmente. A paixão acabou por passar. O amor permaneceu. Ficou enterrado, meio escondido, lá no fundo com um travo doce de recordação. Mas não tinha já a força de outrora. Acabou por se ir perdendo no tempo. Acabou por se esvanecer. Acabou, simplesmente acabou.
Ele
Não consegui sequer acreditar quando ouvi da sua boca que não precisava de mim para nada. Podia estar eu tão enganado. Seria verdade que ela afinal não gosta de mim. Não podia gostar. Pelo seu tom de voz não estava a brincar. Ela falava a sério. Que podia eu dizer. Deixei-me ficar calado. Ela não disse nada. Emudeceu. Parecia esperar que me fosse embora. Parecia estar incomodada com a minha presença. Deixei-a. Pensei que talvez dissesse algo quando me levantasse. Não o fez. Esperei ouvir a sua voz até chegar à paragem. Esperei em vão. Apanhei o autocarro e fui-me embora olhando-a através da janela. Ela mantinha a cabeça baixa. Cheguei a pensar que chorava. Contudo ela era orgulhosa demais para o fazer. Levantei-me do meu lugar para voltar para junto dela. O autocarro arrancou e eu permaneci imóvel, em pé, lá dentro, olhando para trás.
Cheguei a casa. Entrei. O meu irmão perguntou-me se iria com ele para o cinema. Disse-lhe que não estava com vontade de ir. Informou-me do horário que tinha programado para essa noite. Ouvi-o. Disse-lhe que, se fosse, o informava. Mas não me achava com coragem para vê-la de novo. Não depois do corte que me tinha dado. Não depois de me ter desprezado. Se ela não me queria, não seria eu de certeza que iria andar atrás dela. Disso ela podia estar certa. Pensei em telefonar-lhe. Mas que diria. Pensei durante um bom tempo. Lembrei-me que podia perguntar-lhe a que horas era para estar à entrada do cinema. Era uma pergunta simples. Era uma maneira de falar com ela, sem no entanto falar. Ela podia aproveitar a oportunidade para se explicar.
Telefonei-lhe. Ninguém atendeu. Se àquela hora ainda não estava em casa era porque tinha tido algum lado onde ir. Não. Decididamente eu tinha-me resolvido a não ir. Comi qualquer coisa e fechei-me no quarto. Liguei a televisão e, apesar de não estar a dar nada de jeito, deixei-a ligada. Peguei num livro que estava à já uma semana a tentar ler. Li-o e não pensei em mais nada. Não havia nada em que pensar. Adormeci. Pelo menos acho que sim. Não sei bem, mas isso também não tem grande importância. A minha mãe bateu à porta. Entrou dizendo que tinha uma visita. Cheguei a pensar que fosse ela. Não era. Era a minha prima. Pediu-me para ir dar uma volta com ela. Disse-lhe que não me apetecia. Expliquei-lhe o motivo. Não tive problema em fazê-lo. A minha prima conhecia-me desde que nasci. E desde essa altura que nos damos bem. Contei-lhe. Ela compreendeu-me. Porém insistiu para irmos dar uma volta para espairecer. Aceitei a proposta.
Vesti qualquer coisa e saí. Andamos. Conversamos. Tentou alegrar-me foi-se metendo comigo. Esforçou-se tanto para me arrancar um sorriso. Foi extremamente carinhosa. Passamos pelo cinema. Vi todos a sair excepto ela. Cumprimentei-os. Apresentei-lhes a minha prima simpatizaram imediatamente com ela. Foi bom. Permitiu-me ficar calado. Perguntei-lhes por ela. Disseram que ela não se estava a sentir muito bem. Que tinha saído. No entanto que devia de estar por ali. Olhei em volta esperançado de a ver. Não a encontramos. Acabei por ir com o pessoal apesar da minha vontade ser a de voltar para casa. Foi uma noite perdida.
A partir desse dia vi-a várias vezes. Pus de parte a vergonha e o orgulho. Tentei inúmeras vezes retomar a conversa. Queria ter a confirmação que não gostava de mim. Queria desabafar e não ficar com dúvidas relativamente à tua posição no que tocava a esse tema. Mudava de assunto cada vez o fazia. Chegou várias vezes a terminar por ali a conversa. Sentia-me frustrado. Porque é que me recusava a dizer frontalmente que não e tirar de vez o resto mínimo de dúvida que pudesse ter. Percebi finalmente que declarar-lhe o meu amor estava totalmente fora de questão. Desisti. Não a queria magoar ou deixar constrangida. Observei que tocar no assunto o fazia. Ela não fazia ideia o quanto eu gostava dela. Muitas vezes, enquanto me falava, ficava a olhá-la. Imaginava como seria beijá-la. Tentava banir os meus pensamentos com medo que de algum modo os pudesse ouvir e descobrisse.
Um dia, começou uma conversa um pouco estranha. Quando me apercebi que estava a dirigir-se para o assunto que tentava a todo o custo encerrar, quando me apercebi da dificuldade que mostrava em tocar nele, pus um fim à conversa. Não queria de maneira nenhuma que aquilo perturbasse a amizade que tanto preservava. Se não podia ter o seu amor que pelo menos tivesse a sua amizade. Contentava-me com o pouco que pudesse ou que estivesse disposta a dar. Se isso se resumia à amizade, assim seria.
Na altura em que começava a superar o facto de não a ter para mim, devido ao facto de poder estar praticamente todos os dia com ela, as férias surgiram. Amaldiçoei as férias que a separaram de mim. Ela foi para longe de todos nós. Não tinha voto na matéria, não me pronunciei sequer sobre o tema. Eu fui com amigos acampar. Gostava que ela tivesse ido. Tive pena. Diverti-me na mesma. Várias raparigas belgas que estavam de férias mostraram-se interessadas em travar amizade comigo. Mostrei-me receptivo. Mas quando tentaram levar essa relação mais longe eu recusei-me. Todos me gozaram imenso. Esse assunto ultrapassou até as semanas de campismo. Diziam que deveria ser o garanhão da zona. Que comia mais de sete, como na história de D. Caio, que dizia que matava mais de sete. Ela presenciou algumas destas bocas. Não se mostrou interessada em saber o que se tinha passado. Não reagiu sequer às histórias que inventavam. Foi mais que uma confirmação que não havia maneira de a conquistar.
Foi então que apareceu um rapaz na sua vida. Informei-me sobre ele, usando os contactos que podia. A princípio ela não lhe parecia dar muita trela. Sinceramente eu só via defeitos no pobre coitado. Ela por sua vez parecia gostar imenso dele. Não lhe podia dizer nada sobre ele. Fazê-lo seria confessar o meu amor e afastá-la de vez. Fui aceitando a sua presença irritante. Andava constantemente à sua volta. Ela, como se nada de muito importante se passasse, contou-me o óbvio. Disse-me que ele parecia estar interessado nela. Sorri. Falou qualquer coisa sobre namoro. Estava demasiado preocupada em tentar controlar as minhas emoções, não ouvi bem o que me disse. Vi que esperava alguma reacção da minha parte. Balbuciei algo como: "Ai é... pois então parabéns! ". No fundo apetecia-me dizer-lhe: "Aquele filho da p*** teve a coragem...". Apeteceu-me desfaze-lo membro por membro. Sorri em vez de dizer ou fazer qualquer daquelas coisas ou de outras quaisquer do género. Recusou-se a falar novamente comigo. Acabei por não aparecer mais. Para quê? Para sofrer sor fazer e por não fazer. Não valia a pena. Acabamos por nos distanciarmos. Raramente nos víamos. Tratávamo-nos, das poucas vezes que nos víamos, cordialmente. A paixão para ser sincero não passou totalmente. O amor, sem dúvida, permaneceu. Ficou enterrado, meio escondido, lá no fundo com um travo amargo de recordação. Fez-me ver que podia ter tentado pois mais cedo ou mais tarde acabaria por perder a amizade. Mas o que foi, foi. Agora nada há a fazer. O tempo apagou a esperança. O tempo apagou tudo. Nada dela me restou. E foi assim que tudo acabou.
Eu
Toda a tragédia começou quando ele lhe tentava declarar o amor que sentia. Ambos desconfiavam que gostavam um do outro. Ele encheu-se de coragem e iniciou a conversa. Quando tudo parecia estar a correr bem. Pelo menos até ao momento em que ela sentiu, sabe-se lá porquê, que o ambiente estava a ficar demasiado pesado, e disse-lhe brincando que não precisava dele para nada. Ele levou aquilo a sério. Ambos orgulhosos, mais ela que ele, calaram-se e o momento terminou em tragédia. Separaram-se. Cada um odiou-se a si próprio. Cada um ficou para o seu lado. Num momento de esperança, em que o orgulho foi posto de parte, ele telefonou-lhe. Ninguém atendeu. Ao mesmo tempo ela tentou a sua sorte, mas encontrou-o já ao telefone tentando contactá-la. Perderam a coragem.
A partir desse momento tudo foi piorando. A parte do cinema foi a que mais decidiu esta separação. Se ele tivesse ido ao cinema ou ficado realmente em casa, ela não o tinha visto com outra e não pensava o que pensou. Se não a tivessem lembrado, ela nem sequer tinha ido ao cinema. Se ela não tivesse saído antes do filme começar, tinha ficado desde o início a saber que a rapariga era prima dele. Se... se... se... A vida é feita de suposições muitas vezes são infinitas. Não vale a pena pensar nelas. O que acontece, acontece e nada se pode fazer para voltar a trás.
O mal foi não terem conversado abertamente sobre o assunto. É sempre o mal em amores entre amigos. Não se quer perder ou pôr em causa a amizade. A felicidade fica para segundo lugar acabando-se por se preferir a uma possível alternativa. Uma possível alternativa em inúmeras outras.
É verdade que as férias trouxeram mais lenha para a fogueira. Mais mal-entendidos entre eles. Ele não tinha tido relação nenhuma, até pelo contrário. Ela na verdade não estava minimamente interessada no rapaz que se foi por entre eles. Mas no fundo o grande mal foi a falta de diálogo. Se ela tivesse demonstrado a sua curiosidade à cerca das férias dele... Se ele assumido perante ela o ciúme que sentiu... Mas não. Ambos resolveram preservar uma amizade que não tinha futuro em vez de arriscar. Perderam a amizade e a oportunidade de poderem ser felizes juntos. Foi um grande erro.
Contudo no lugar deles não sei se teria agido de uma outra maneira. Cada um tinha a sua versão da realidade e agiram de acordo com ela. A vida é assim, cada um tenta fazer o melhor que pode tendo em atenção ao que vê, ao que sente, ao que ouve... Por vezes os sentidos não espelham a realidade como ela realmente é. No entanto não há nada a fazer.
Disse-lhe que não precisava dele para nada. Devo ter sido convincente ao fazê-lo. Pelo menos ele acreditou. Não estava a ser sincera quando o disse. Pensava que ele sabia. Pensei que levasse na brincadeira. Esperava que mandasse uma daquelas bocas foleiras que me enervam e me chateiam. Não o fez. Deixou-se ficar calado. Definitivamente pensou que estava a falar a sério. Por esse motivo levantou-se e foi-se embora. Eu, orgulhosa como sempre, não o impedi. Deixei-me ficar só. Deixei que me abandonasse. As pessoas foram passando por mim. O tempo também. Fiquei sentada naquele banco de jardim até me aperceber que ele não ia voltar. Fui para a paragem. Era já tarde tinha de ir para casa. A escuridão substituiu a luz do dia. Cada minuto que passava deixava-me com um vazio cada vez maior. Não conseguia acreditar que lhe tinha dito o que lhe disse. Repreendi-me milhões de vezes. Pensei nos inúmeros inconvenientes de ser orgulhosa. Achei que depois do que se tinha passado que não havia nada mais a dizermos um ao outro. Que hipóteses havia de haver algo entre nós após aquela conversa. Senti a sua falta como nunca tinha sentido.
Desisti de esperar. Comecei a andar. Fui para casa a pé. Pensei. Pensei em tanto que não tenho bem a certeza em que foi, concretamente, que pensei. Passei por uma cabine telefónica pública. Era de cartão. Tirei o meu da carteira. Fiquei parada em frente ao telefone sem saber se haveria de telefonar ou não. Não me conseguia decidir. Pensei que se um carro branco, a sua cor preferida, passasse que era o destino a dizer-me para telefonar. Esperei um minuto não passou. Pensei que tinha de esperar pelo menos cinco minutos. Foi o que fiz. Não passou nenhum carro branco. Retomei o caminho. Pensei que se calhar era melhor assim. Passaram dois carros brancos logo de seguida. Voltei atrás. Tinha de telefonar. Mas, por outro lado, o facto de passarem depois de me ter vindo embora poderia querer dizer que o melhor era não telefonar. Não tinha a mínima ideia do que deveria fazer. Peguei no auscultador do telefone. Não cheguei a marcar o número dele. Não sabia sequer o que havia de dizer. Pousei o auscultador. Voltei a pegar nele, marquei o número. Estava ocupado. Era definitivamente um sinal para não lhe telefonar.
Continuei a caminhada. Liguei o walkman. Fui desfrutando da música. Não havia nada que pudesse fazer naquele momento. Tudo havia de se compor. Cheguei a casa. Não estava ninguém. Estranhei. Subi para o quarto. Liguei o rádio. Subi timidamente o som contando constantemente com a chegada da família. Pensei na estupidez do que tinha feito. Mas não era capaz de me rebaixar. Depois de tantos anos ele já devia saber como eu era. Tinha a obrigação de me conhecer melhor que aquilo. A culpa tinha também sido dele. Possivelmente teria sido ele a querer terminar por ali o assunto. Eu podia estar a interpretar mal aquela conversa. O futuro do qual ele se estava a referir, a partilha da vida da qual falou podia ser referente a outra pessoa. Que burra... eu pensava que ele podia estar a referir-se a mim. Claro que não. Decididamente eu não iria voltar a tocar no assunto. Se ele não gostava de mim o que é que havia a dizer. Nada. Nada mesmo. Teríamos uma conversa como qualquer outra. Como se nada se tivesse passado.
Passou-me totalmente que no dia seguinte tínhamos um encontro com mais amigos. Felizmente uma amiga telefonou-me. Passei a tarde a escolher a roupa a usar. Ele iria. Não queria admitir que isso me estava a deixar nervosa mas, na verdade, estava. Optei por um vestido preto confortável porém ao mesmo tempo um pouco sensual. Quando cheguei ao local de encontro ainda faltava gente, nomeadamente ele. Esperamos até às 10 horas. O irmão dele foi um dos últimos a aparecer e disse que não ele estava muito interessado em vir. Realmente não apareceu.
Acabamos por entrar na sala. Não prestei a mínima atenção ao filme. Saí antes do filme terminar. Não aguentava mais. Disse ao pessoal que não estava lá muito bem, que iria à casa de banho. Combinei-me encontrar-me com eles mais tarde à saída. Saí. Olhei em volta. Resolvi sentar-me na esplanada de um café junto à saída. Pensei nele. Pensava em como seria quando nos víssemos. A minha vontade era dizer-lhe que gostava imenso dele. Gostava de lhe confessar o meu amor que durava já à um ano e cinco meses. Mas não podia revelar que o que sentia por ele era mais que amizade. Se não fosse correspondido perderia o melhor amigo que alguma vez tinha tido.
Pedi uma garrafa de água natural. Bebi. Deixei-me estar a apreciar o movimento que se instalara gradualmente à minha volta. Pares, de mãos dadas, passeavam, conversavam, beijavam-se. Amigos, reunidos à volta de uma mesa, riam-se com as brincadeiras e histórias que surgem. Quanto mais barulho ouvia em meu redor, mais silenciosa me sentia. Olhava constantemente para a porta de saída do cinema. Derrepente vi-o. Levantei-me, como que por um impulso, para o chamar. Pensei que afinal tinha resolvido aparecer. Mais valia tarde do que nunca. No entanto não o chamei. Voltei a sentar-me como se me tentasse esconder. Ele não estava só. Sim, estava acompanhado de uma rapariga que nunca antes tinha visto. Odiei-o. Ele sorria-lhe imenso. Segui-os de longe. Ela metia-se constantemente com ele. Ele ria-se. Ela abraçava-o. Ele passava com a mão pelo cabelo dela. Tudo muito carinhosamente. Era, com certeza, a sua namorada. Era ela a tal e não eu. O pessoal saiu do cinema e viu-o. Ele cumprimentou-os. Apresentou-a também. Todos se riram com algo que ela deve ter dito. Olharam em volta. Talvez me procurassem. Não tive coragem de aparecer. Acabei por ir para casa. Ao longo do caminho parei nos locais onde costumávamos parar para conversarmos. Chorei. Deixei transparecer a minha vulnerabilidade. Quando retomei o caminho de casa estava já mais calma.
Voltei a vê-lo mais vezes. Nunca lhe disse nada. Agora que namorava não valia a pena. Cada vez que puxava o assunto eu mudava o rumo da conversa. Não podia imaginar o quanto me magoava saber que gostava dele. E ainda mais saber que esse sentimento não era recíproco. Cheguei mesmo a levantar-me quando ele tocava na questão, inventando alguma desculpa. Acabei por lhe dar a entender que se tratava de um assunto no qual me custava tocar. Ele não fazia ideia do quanto gostava dele. Muitas vezes, enquanto me falava, ficava a olhá-lo. Imaginava como seria beijá-lo. Tentava banir os meus pensamentos com medo que de algum modo os pudesse ouvir e descobrisse.
Houve um dia em que estive para lhe dizer tudo o que tinha ficado por dizer naquele dia. Porém desta vez foi ele quem não quis ouvir. Respeitei a sua decisão. Não toquei mais no assunto. Entretanto as férias apareceram. Eu fui para fora. Não fiz nada de especial. Quando cheguei todos tinham tanto que contar que me senti mal. Não tinha feito um amigo sequer. Quando estávamos com os amigos só ouvia bocas relacionadas com raparigas e com ele. Queria saber pormenorizadamente o que se tinha passado. Todavia não me queria que parecesse que me queria meter na vida dele.
Quando apareceu um rapaz interessado em mim, eu contei-lhe. Ele apenas me disse: "Ai sim... então, parabéns! ". Senti uma raiva. Recusei-me a voltar a conversar com ele seriamente. Também, ele deixou de aparecer. Perdemos a amizade que nutríamos. Raramente nos víamos. Tratávamo-nos, das poucas vezes que nos víamos, cordialmente. A paixão acabou por passar. O amor permaneceu. Ficou enterrado, meio escondido, lá no fundo com um travo doce de recordação. Mas não tinha já a força de outrora. Acabou por se ir perdendo no tempo. Acabou por se esvanecer. Acabou, simplesmente acabou.
Ele
Não consegui sequer acreditar quando ouvi da sua boca que não precisava de mim para nada. Podia estar eu tão enganado. Seria verdade que ela afinal não gosta de mim. Não podia gostar. Pelo seu tom de voz não estava a brincar. Ela falava a sério. Que podia eu dizer. Deixei-me ficar calado. Ela não disse nada. Emudeceu. Parecia esperar que me fosse embora. Parecia estar incomodada com a minha presença. Deixei-a. Pensei que talvez dissesse algo quando me levantasse. Não o fez. Esperei ouvir a sua voz até chegar à paragem. Esperei em vão. Apanhei o autocarro e fui-me embora olhando-a através da janela. Ela mantinha a cabeça baixa. Cheguei a pensar que chorava. Contudo ela era orgulhosa demais para o fazer. Levantei-me do meu lugar para voltar para junto dela. O autocarro arrancou e eu permaneci imóvel, em pé, lá dentro, olhando para trás.
Cheguei a casa. Entrei. O meu irmão perguntou-me se iria com ele para o cinema. Disse-lhe que não estava com vontade de ir. Informou-me do horário que tinha programado para essa noite. Ouvi-o. Disse-lhe que, se fosse, o informava. Mas não me achava com coragem para vê-la de novo. Não depois do corte que me tinha dado. Não depois de me ter desprezado. Se ela não me queria, não seria eu de certeza que iria andar atrás dela. Disso ela podia estar certa. Pensei em telefonar-lhe. Mas que diria. Pensei durante um bom tempo. Lembrei-me que podia perguntar-lhe a que horas era para estar à entrada do cinema. Era uma pergunta simples. Era uma maneira de falar com ela, sem no entanto falar. Ela podia aproveitar a oportunidade para se explicar.
Telefonei-lhe. Ninguém atendeu. Se àquela hora ainda não estava em casa era porque tinha tido algum lado onde ir. Não. Decididamente eu tinha-me resolvido a não ir. Comi qualquer coisa e fechei-me no quarto. Liguei a televisão e, apesar de não estar a dar nada de jeito, deixei-a ligada. Peguei num livro que estava à já uma semana a tentar ler. Li-o e não pensei em mais nada. Não havia nada em que pensar. Adormeci. Pelo menos acho que sim. Não sei bem, mas isso também não tem grande importância. A minha mãe bateu à porta. Entrou dizendo que tinha uma visita. Cheguei a pensar que fosse ela. Não era. Era a minha prima. Pediu-me para ir dar uma volta com ela. Disse-lhe que não me apetecia. Expliquei-lhe o motivo. Não tive problema em fazê-lo. A minha prima conhecia-me desde que nasci. E desde essa altura que nos damos bem. Contei-lhe. Ela compreendeu-me. Porém insistiu para irmos dar uma volta para espairecer. Aceitei a proposta.
Vesti qualquer coisa e saí. Andamos. Conversamos. Tentou alegrar-me foi-se metendo comigo. Esforçou-se tanto para me arrancar um sorriso. Foi extremamente carinhosa. Passamos pelo cinema. Vi todos a sair excepto ela. Cumprimentei-os. Apresentei-lhes a minha prima simpatizaram imediatamente com ela. Foi bom. Permitiu-me ficar calado. Perguntei-lhes por ela. Disseram que ela não se estava a sentir muito bem. Que tinha saído. No entanto que devia de estar por ali. Olhei em volta esperançado de a ver. Não a encontramos. Acabei por ir com o pessoal apesar da minha vontade ser a de voltar para casa. Foi uma noite perdida.
A partir desse dia vi-a várias vezes. Pus de parte a vergonha e o orgulho. Tentei inúmeras vezes retomar a conversa. Queria ter a confirmação que não gostava de mim. Queria desabafar e não ficar com dúvidas relativamente à tua posição no que tocava a esse tema. Mudava de assunto cada vez o fazia. Chegou várias vezes a terminar por ali a conversa. Sentia-me frustrado. Porque é que me recusava a dizer frontalmente que não e tirar de vez o resto mínimo de dúvida que pudesse ter. Percebi finalmente que declarar-lhe o meu amor estava totalmente fora de questão. Desisti. Não a queria magoar ou deixar constrangida. Observei que tocar no assunto o fazia. Ela não fazia ideia o quanto eu gostava dela. Muitas vezes, enquanto me falava, ficava a olhá-la. Imaginava como seria beijá-la. Tentava banir os meus pensamentos com medo que de algum modo os pudesse ouvir e descobrisse.
Um dia, começou uma conversa um pouco estranha. Quando me apercebi que estava a dirigir-se para o assunto que tentava a todo o custo encerrar, quando me apercebi da dificuldade que mostrava em tocar nele, pus um fim à conversa. Não queria de maneira nenhuma que aquilo perturbasse a amizade que tanto preservava. Se não podia ter o seu amor que pelo menos tivesse a sua amizade. Contentava-me com o pouco que pudesse ou que estivesse disposta a dar. Se isso se resumia à amizade, assim seria.
Na altura em que começava a superar o facto de não a ter para mim, devido ao facto de poder estar praticamente todos os dia com ela, as férias surgiram. Amaldiçoei as férias que a separaram de mim. Ela foi para longe de todos nós. Não tinha voto na matéria, não me pronunciei sequer sobre o tema. Eu fui com amigos acampar. Gostava que ela tivesse ido. Tive pena. Diverti-me na mesma. Várias raparigas belgas que estavam de férias mostraram-se interessadas em travar amizade comigo. Mostrei-me receptivo. Mas quando tentaram levar essa relação mais longe eu recusei-me. Todos me gozaram imenso. Esse assunto ultrapassou até as semanas de campismo. Diziam que deveria ser o garanhão da zona. Que comia mais de sete, como na história de D. Caio, que dizia que matava mais de sete. Ela presenciou algumas destas bocas. Não se mostrou interessada em saber o que se tinha passado. Não reagiu sequer às histórias que inventavam. Foi mais que uma confirmação que não havia maneira de a conquistar.
Foi então que apareceu um rapaz na sua vida. Informei-me sobre ele, usando os contactos que podia. A princípio ela não lhe parecia dar muita trela. Sinceramente eu só via defeitos no pobre coitado. Ela por sua vez parecia gostar imenso dele. Não lhe podia dizer nada sobre ele. Fazê-lo seria confessar o meu amor e afastá-la de vez. Fui aceitando a sua presença irritante. Andava constantemente à sua volta. Ela, como se nada de muito importante se passasse, contou-me o óbvio. Disse-me que ele parecia estar interessado nela. Sorri. Falou qualquer coisa sobre namoro. Estava demasiado preocupada em tentar controlar as minhas emoções, não ouvi bem o que me disse. Vi que esperava alguma reacção da minha parte. Balbuciei algo como: "Ai é... pois então parabéns! ". No fundo apetecia-me dizer-lhe: "Aquele filho da p*** teve a coragem...". Apeteceu-me desfaze-lo membro por membro. Sorri em vez de dizer ou fazer qualquer daquelas coisas ou de outras quaisquer do género. Recusou-se a falar novamente comigo. Acabei por não aparecer mais. Para quê? Para sofrer sor fazer e por não fazer. Não valia a pena. Acabamos por nos distanciarmos. Raramente nos víamos. Tratávamo-nos, das poucas vezes que nos víamos, cordialmente. A paixão para ser sincero não passou totalmente. O amor, sem dúvida, permaneceu. Ficou enterrado, meio escondido, lá no fundo com um travo amargo de recordação. Fez-me ver que podia ter tentado pois mais cedo ou mais tarde acabaria por perder a amizade. Mas o que foi, foi. Agora nada há a fazer. O tempo apagou a esperança. O tempo apagou tudo. Nada dela me restou. E foi assim que tudo acabou.
Eu
Toda a tragédia começou quando ele lhe tentava declarar o amor que sentia. Ambos desconfiavam que gostavam um do outro. Ele encheu-se de coragem e iniciou a conversa. Quando tudo parecia estar a correr bem. Pelo menos até ao momento em que ela sentiu, sabe-se lá porquê, que o ambiente estava a ficar demasiado pesado, e disse-lhe brincando que não precisava dele para nada. Ele levou aquilo a sério. Ambos orgulhosos, mais ela que ele, calaram-se e o momento terminou em tragédia. Separaram-se. Cada um odiou-se a si próprio. Cada um ficou para o seu lado. Num momento de esperança, em que o orgulho foi posto de parte, ele telefonou-lhe. Ninguém atendeu. Ao mesmo tempo ela tentou a sua sorte, mas encontrou-o já ao telefone tentando contactá-la. Perderam a coragem.
A partir desse momento tudo foi piorando. A parte do cinema foi a que mais decidiu esta separação. Se ele tivesse ido ao cinema ou ficado realmente em casa, ela não o tinha visto com outra e não pensava o que pensou. Se não a tivessem lembrado, ela nem sequer tinha ido ao cinema. Se ela não tivesse saído antes do filme começar, tinha ficado desde o início a saber que a rapariga era prima dele. Se... se... se... A vida é feita de suposições muitas vezes são infinitas. Não vale a pena pensar nelas. O que acontece, acontece e nada se pode fazer para voltar a trás.
O mal foi não terem conversado abertamente sobre o assunto. É sempre o mal em amores entre amigos. Não se quer perder ou pôr em causa a amizade. A felicidade fica para segundo lugar acabando-se por se preferir a uma possível alternativa. Uma possível alternativa em inúmeras outras.
É verdade que as férias trouxeram mais lenha para a fogueira. Mais mal-entendidos entre eles. Ele não tinha tido relação nenhuma, até pelo contrário. Ela na verdade não estava minimamente interessada no rapaz que se foi por entre eles. Mas no fundo o grande mal foi a falta de diálogo. Se ela tivesse demonstrado a sua curiosidade à cerca das férias dele... Se ele assumido perante ela o ciúme que sentiu... Mas não. Ambos resolveram preservar uma amizade que não tinha futuro em vez de arriscar. Perderam a amizade e a oportunidade de poderem ser felizes juntos. Foi um grande erro.
Contudo no lugar deles não sei se teria agido de uma outra maneira. Cada um tinha a sua versão da realidade e agiram de acordo com ela. A vida é assim, cada um tenta fazer o melhor que pode tendo em atenção ao que vê, ao que sente, ao que ouve... Por vezes os sentidos não espelham a realidade como ela realmente é. No entanto não há nada a fazer.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
esquecer... UM DIA DE VERÃO
Chegaste-te a mim... SINTO O CHEIRO DO MAR A TODA A VOLTA!
Aproximaste-te por de trás, abraçaste-me pousando o teu queixo no meu ombro... SINTO O CALOR DO SOL DE VERÃO AQUECER-ME!
Pegaste na minha mão e puxaste-me na direcção da cama... SOU TRANSPORTADA PARA OUTRO LUGAR E PARA OUTRA ALTURA!
Suavemente sussuraste-me ao ouvido... OUÇO AS ONDAS DO MAR A REBENTAR NA AREIA!
Ofegantemente foste inspirando e expirando... SINTO A BRISA DO MAR ACARICIAR-ME DELICADAMENTE!
Foste gemendo ao ritmo do movimento do teu corpo... OUÇO O SOM DOS BARCOS AO SAIR DO CAIS!
Acendeste a luz do candeeiro pousado na mesa de cabeceira... VEJO AS ESTRELAS BRILHAREM LÁ BEM NO ALTO, LONGE DE MIM!
Levantaste-te e com uma calma apressada foste-te vestindo... APERCEBO-ME QUE A LUZ DO FAROL CHEGA MAIS LONGE QUE A MINHA VOZ!
Beijaste-me... MOLHO OS PÉS NA MARÉ VAZA!
Foste-te embora sem dizer adeus... SORRIO POR DENTRO POIS NÃO HÁ NADA MELHOR QUE UM DIA DE VERÃO!
Aproximaste-te por de trás, abraçaste-me pousando o teu queixo no meu ombro... SINTO O CALOR DO SOL DE VERÃO AQUECER-ME!
Pegaste na minha mão e puxaste-me na direcção da cama... SOU TRANSPORTADA PARA OUTRO LUGAR E PARA OUTRA ALTURA!
Suavemente sussuraste-me ao ouvido... OUÇO AS ONDAS DO MAR A REBENTAR NA AREIA!
Ofegantemente foste inspirando e expirando... SINTO A BRISA DO MAR ACARICIAR-ME DELICADAMENTE!
Foste gemendo ao ritmo do movimento do teu corpo... OUÇO O SOM DOS BARCOS AO SAIR DO CAIS!
Acendeste a luz do candeeiro pousado na mesa de cabeceira... VEJO AS ESTRELAS BRILHAREM LÁ BEM NO ALTO, LONGE DE MIM!
Levantaste-te e com uma calma apressada foste-te vestindo... APERCEBO-ME QUE A LUZ DO FAROL CHEGA MAIS LONGE QUE A MINHA VOZ!
Beijaste-me... MOLHO OS PÉS NA MARÉ VAZA!
Foste-te embora sem dizer adeus... SORRIO POR DENTRO POIS NÃO HÁ NADA MELHOR QUE UM DIA DE VERÃO!
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
HOJE... em dia... de noite...
olha-me nos olhos
diz que me vês...
diz que sentes o arrepio da minha pele...
diz-me que existo.
Prova por 1 + 1
que existo para além do meu pensamento,
que sou mais do que o que faço,
que valho mais do que o que tenho.
Beija-me...
demonstra o teu carinho por mim,
mostra o quanto desejas a minha presença na tua vida,
faz-me sentir especial... dentro de ti,
envolve-me naquele abraço que só tu sabes dar e tira-me deste mundo cinzento/frio/vazio
...
A solidão não existe... não doi... não desespera...
porque estás sempre no meu CORAÇÃO!!!
diz que me vês...
diz que sentes o arrepio da minha pele...
diz-me que existo.
Prova por 1 + 1
que existo para além do meu pensamento,
que sou mais do que o que faço,
que valho mais do que o que tenho.
Beija-me...
demonstra o teu carinho por mim,
mostra o quanto desejas a minha presença na tua vida,
faz-me sentir especial... dentro de ti,
envolve-me naquele abraço que só tu sabes dar e tira-me deste mundo cinzento/frio/vazio
...
A solidão não existe... não doi... não desespera...
porque estás sempre no meu CORAÇÃO!!!
you and me....
Olhaste para mim como se tivesse sido a primeira vez que o tivesses feito. Aos anos que esperava por isso. Suavemente seguraste a minha cara com as tuas mãos. Fechamos os olhos simultaneamente. Tu sabias o que estavas a fazer, eu nem sequer queria saber. Senti os teus lábios aproximarem-se dos meus lentamente. Deixei de ouvir a música que até aí parecia arrebentar os meus tímpanos. Ouvi-te inspirar e expirar. Senti-o ao longo da minha espinha que parecia vibrar com o ritmo da tua respiração. Quis olhar para ti e ver-te, ter a certeza que eras tu. Mas não tive coragem de abrir os olhos. Tive medo que tudo não passasse de um sonho à tanto desejado. Beijaste-me. Nunca ninguém antes o tinha feito dessa maneira. Tu devias saber, ainda que nunca antes te tivesses dignado a olhar para mim. O meu coração batia a um tal ritmo que cheguei a julgar que fosse sair de dentro do meu peito. Naquele momento fizeste-me sentir-me desejada. Senti-me tão feliz que quase chorei. Passaste-me a mão pelo cabelo que, anteriormente, tinhas solto. Olhaste-me nos olhos. Voltaste a beijar-me. Não me disseste nada. Foste começando a percorrer o meu corpo com as tuas mãos. Eu nada disse. Tentei olhar-te, mas não consegui. Fiquei com medo. Desapertaste o primeiro botão da minha blusa. E depois o segundo. E, de um momento para o outro, sem que eu desse conta do que estavas a fazer, deparei-me contigo a acariciar-me intimamente. Retraí-me. Pedi que parasses. Tu não me ouvias. Não conseguia perceber o que estava a acontecer. Na verdade, eu até percebia, só não compreendia o porquê. Sabias tão bem quanto eu que, se tivesses calma, acabavas por ter o que querias de mim. Mas tu não te preocupaste comigo. Achaste que estava a ter o que merecia.Continuamente te disse para parares, que não queria continuar. Tu actuavas como se eu não estivesse lá. O meu corpo não respondia aos comandos que o meu cérebro constantemente lhe mandava. Queria reagir mas o meu corpo manteve-se imóvel, inerte como se não fosse meu. Comecei a chorar. Acabei por simplesmente me abstrair do que estava a acontecer. Foi como se estivesse a ver aquilo a passar-se com outra pessoa. Tu não estavas a ter relações sexuais comigo. Estavas apenas a usar o meu corpo como se de um qualquer objecto se tratasse. Senti a fria aragem que levemente arrepiava a minha pele. Olhei em volta. O céu estava limpo. Conseguia ver através do seu escuro manto os pequenos pontos de luz que perfuram a noite. Ouvi passos, abafados pelos sons que imitias. Tentei ouvir-te mas não te compreendi. Mantive os olhos bem abertos durante o tempo que me usaste. Queria assegurar que via o que se estava a passar visto não ter a certeza de o estar a sentir. Cheguei a pensar iria morrer, mas o sangue insistia em correr pelas minhas veias. O meu coração não parou de bater. Quando acabaste levantaste-te, vestiste-te e viraste costas. Disseste-me que era esquisita, e rindo foste-te embora. Fiquei ali deitada. Olhei para o meu corpo. Não o reconheci. Tentei a todo o esforço tapar-me. Queria esconder-me do mundo. A vergonha do que se tinha passado invadiu o meu corpo e deixou-o sujo. Mais sujo do que algum dia poderia estar. Como poderia voltar a olhar para ti? Como poderia justificar-me pelo que fiz? Odiei-me mais do que algum dia te odiei a ti. Dentro de mim tudo me dizia que a culpa era minha. E era. Durante três anos e cinco meses tinha esperado por uma oportunidade destas e quando ela surgiu eu fechei-me com medo de ti. Só então me apercebi que não gostavas de mim. Senti nojo do amor que tenho por ti. Amor que quase apagaste da minha alma.A primeira coisa que fiz ao chegar a casa foi tomar banho. Mas a sujidade não saiu. Por mais que esfregasse ela teimava em permanecer em mim. Chorei tanto que fiquei vazia por dentro. Senti-me incapaz de sentir. Não queria nada. Viver, morrer, respirar, falar, ...., tudo me parecia indiferente e abstracto. Nada me parecia fazer sentido. A todo o custo tentei pensar. Porém tenho a sensação de que, com o nervosismo, me esqueci como se fazia. Talvez apenas nunca tenha aprendido a fazê-lo. Não sei.Sentei-me a um canto. Ali permaneci durante horas, abandonada de mim mesma. Então, sem que nada me levasse a isso, levantei-me e vesti-me. Sabia onde ia, contudo não tinha a mínima noção do que lá ia fazer. Levava uma roupa prática: as calças de ganga que tanto adorava, uma t-shirt em tons de cinzento e umas sapatilhas. Peguei nas chaves de casa e bati a porta ao sair. O dia parecia-se com um outro dia qualquer. Podia pensar-se que se tratava apenas de mais um dia de Primavera, todavia eu sabia que tal não era verdade. Aquele era um dia diferente. Já naquele momento era um dia especial. Foi naquele dia que a minha vida mudou. Foi naquele dia que eu perdi a minha vida, que me a arrancaste de mim como se não me pertencesse. A minha vida era minha. Mas não é mais, a minha vida acabou no instante em que foi manchada pelo acto que cometeste. Comecei a andar com um ritmo normal que foi gradualmente aumentando. A pressa de chegar era tanta que me fazia ter, constantemente, a noção de estar atrasada. Corri o máximo de tempo que o meu corpo permitiu. Fi-lo até à exaustão. No momento em que estava prestes a sucumbir ao cansaço cheguei a meu ponto de destino. Vi-te. Senti-me a ser invadida por uma enorme felicidade. As lágrimas chegaram-me aos olhos. Tu viste-me e ficaste petrificado com o meu olhar. Achaste que tinha enlouquecido. Nada podia dizer, não tinha sequer a certeza de alguma vez ter estado sã.Andei na tua direcção. Tu nem te mexeste. Estava tão feliz por te ter visto que não me apercebi do número de pessoas que nos rodeavam. Parei junto a ti. Ficamos face a face. Sorri-te. Deixei a minha alegria transparecer. Não compreendeste o motivo que me havia deixado assim. Mas eu sabia: tinha a noção que tinha encontrado a solução para a dor que me estava a sufocar. Tu começaste a falar mas eu não te conseguia perceber. O que tentavas dizer não me fazia sentido. Inclinei ligeiramente a cabeça persistindo com o meu sorriso. Começaste a ficar nervoso, talvez até com medo de mim. A minha alegria atingiu o seu auge. Deste um passo para trás. Olhei-te seriamente nos olhos. Continuaste a recuar. Vi a tua alma a escapar-te dos dedos. Sim, sentiste medo de mim, medo do que eu te podia fazer. Desta vez era eu que controlava a situação. Empunhei a faca que desde casa trazia na mão. Os teus olhos abriram-se ao máximo da sua capacidade e a tua vida fluiu através deles. Desde o início sabias que, ao tentar tirar-me o amor que te tinha, a razão da minha existência, estavas a desperdiçar a tua vida. Senti-me em paz enquanto o teu sangue limpava a sujidade da minha alma. Estava grata. O meu agradecimento não chegaria nunca para te explicar o bem que me tinhas feito. Beijei os teus frios lábios, sentei-me a teu lado e esperei. Em breve estaríamos juntos novamente. O meu sangue fundiu-se com o teu na calçada da rua. Desde o princípio que o meu amor por ti havia sido maior que tudo o resto. Tinha valido a pena ter acabado com a vida do teu grande amor. Tudo pelo que tinha passado tinha compensado. Esta era a prova. Fechei os olhos e esperei encontrar-te ao fundo da luz.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Adeus!
Implorei-te que não te fosses embora. Não me ouviste. Olhei para ti. Não vi mais nada. Limitei-me a permanecer imóvel e a olhar para o infinito. Eras a única pessoa que me compreendia. Eras capaz de exprimir exactamente o que nesse momento estava a pensar. Fazias-me sorrir. Conhecíamo-nos à vários anos. Costumávamos conversar. Duvido ainda que te lembrasses desses tempos. Ultimamente as coisas que me dizias não me faziam sentido. Deixei de te compreender. Deixei de me sentir como parte de ti como antes acontecia. Senti medo. Tive a sensação de que te estava a perder. Senti que te estavas a deixar ir abaixo e que não me estavas a arrastar contigo, como costumavas fazer. Não compreendia. Costumávamos partilhar todas as sensações e experiências novas. Porque estavas tu a negar-me o conhecimento do que se passava dentro da tua cabeça? Que pensamentos tinhas que não podias compartilhar? Porque é que não estava, desta vez, à altura? Deixaras de comunicar. Parecias uma criança de quatro anos que pergunta o porquê de tudo. E a resposta nem sequer te interessava pois não esperavas por ela. Perguntavas incessantemente. Perguntavas por perguntar. Não te sabia responder. Costumavas ser tu aquela que julga ter sempre resposta para tudo, nunca eu.
Não tinha nada para te oferecer para além de afecto. Não te mostraste interessada. Partilhei contigo memórias. Não sorriste sequer. Fechaste-te num mundo demasiado duro para que pudesse penetrá-lo. Estavas tão à vontade dentro dele que parecia ter sido feito à tua medida. Estranhei o motivo que, pela primeira vez, me impedia de entrar. Tentei a todo o esforço falar contigo. Tu não emitiste um som. Teus olhos viam através de mim. Cheguei a duvidar de que estava no mesmo quarto que tu. Não consegui despertar em ti nenhuma emoção. Estavas tão magra, tão calma, tão longe de mim que parecias preparada para deixar a qualquer momento o teu corpo e partir.
Chorei. Nem te apercebeste. Abracei-te. Senti todos os teus ossos, mas não te senti a ti. Fiz-te promessas. Não sei se as ouviste. A última era de que não chorava se de facto morresses. Sorriste e foi o último gesto que fizeste. Tombaste lentamente para o lado como quem se deixa ir. Parecia que apenas tinhas adormecido. Mas esse sono seria para toda a eternidade. Não te levantaste mais. Nunca mais.
A tua mãe disse-me que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Que ter-me visto tinha sido o teu ultimo pedido e que estava feliz por o ter realizado. Beijou-me como se também ela se despedisse de mim. Disse-me para não me esquecer que estava em casa. Virou costas com toda a calma e foi para o telefone. Confirmou dizendo que te podiam vir buscar. Pediu-me que a ajudasse a escolher uma roupa. Acedi mas à porta do teu quarto parei. Não tinha coragem de voltar a entrar. Ela compreendeu. Perguntou-me se ia embora, confirmei-lhe com um abanar de cabeça. Ela sorriu e pediu-me que não desaparecesse. Recusei-me a chorar. Cumpriria a promessa. Fiquei como tu, sem palavras. O que é que poderia haver a dizer? A tua mãe estava tão calma que cheguei a pensar que não passava de uma brincadeira. Amanhã passaria por tua casa como fazia desde que estavas assim. Amanhã veria que tudo estava na mesma. Não podias ter partido. Como tu própria dizias não tinhas para onde ir.
Tive medo que não soubesses que gostava de ti. Voltei para trás para to dizer. À porta de tua casa parei. Tu sabias que sim. Lembrei-me de quando me pediste para te ajudar a fazer o teu curriculum. Disseste que não querias ficar sem nada para fazer depois de acontecer tudo o que tinha de acontecer. Foi a última vez que vi a tua mãe chorar. Após ver que estavas em paz com o fim também ela acabou por se conformar. Mas eu nunca fora assim. O teu fim não dizia respeito só a ti. Então e eu? Como pudeste ter coragem de te ires embora sem me dizer nada. Sem me perguntares se não me importava. Sim, fiquei chateada contigo. Ultimamente não me dizias nada. Deixavas-me constantemente de parte. E acredita que desta vez um simples "desculpa" não serviria...
Corri para casa. Podias lembrar-te de me telefonares. Tinha de estar em casa à espera do teu telefonema. Cheguei. A minha mãe quis falar. Como sempre não estava disposta a isso. Disse-lhe que não podia ser naquela altura. Mais tarde, talvez. Aceitou. Sentei-me junto ao telefone. Liguei o televisor. Esperei durante horas. O telefone tocou. Atendi decidida a não te perdoar sem mais nem menos. Tinhas de te explicar. Não eras tu. Fiquei um pouco desiludida mas passei o telefone ao meu irmão. Pedi-lhe para não demorar. Disse-lhe que esperava um telefonema. Pela primeira vez não discutiu comigo. Passou-me a mão pelo cabelo e prometeu não demorar muito. Logo depois de desligar, o telefone voltou a tocar. Atendi. Era a tua mãe. Disse-me que estava tudo pronto. Para aparecer lá de manhã. Depois pediu para falar com a minha mãe. Passei o telefone. Fui para o meu quarto. Só não lhe perguntei por ti porque sei o quanto ficavas chateada comigo quando falava com a tua mãe. Depois ela queria sempre saber o que tinha acontecido e quem a ouvia eras tu. Sabia que não aguentarias não falar comigo amanhã. A única vez que ficaste 24 horas sem falar comigo foi quando acabaste com um dos teus namorados depois de eu te dizer que ele se tinha atirado a mim. Mas até isso passou.
Adormeci, acordando apenas na manhã seguinte. A minha mãe é que me veio acordar. Tinha tirado do armário o vestido preto que tanto gostava. Lembro-me quando tu me confessaste que o teu primo me tinha adorado ver com aquele vestido. Advertiste-me imediatamente para não o usar muitas vezes ou teria de o aguentar todos os fins de semana. Nunca te disse mas eu sempre gostara dele. E lá no fundo tu sabias. Não era preciso nenhuma de nós dizer nada. Só de olhar para mim sabias. Não ficaste portanto surpreendida quando te contei que estávamos "a andar". Ficaste feliz por mim. Contava-te tudo o que se passava. E tu costumavas ficar tão entusiasmada quanto eu.
Fui tomar banho. Quando pequenas costumavas vir para minha casa. Muitas vezes tomávamos banho juntas. Adoravas pôr o meu cabelo em pé, como a crista de uma galinha. Depois rias-te de mim e atiravas-me com água. Logo que começávamos a chapinhar na água ouvíamos a voz da minha mãe que rapidamente acorria à casa de banho. Ralhava sempre connosco por deixarmos o chão ensopado. Mas acabava por ceder ao nosso olhar triste e culpado. Divertíamo-nos imenso. Saí da casa de banho enrolada na toalha. O meu irmão que esperava calmamente para entrar, olhou para mim carinhosamente. Deu-me um beijo na testa. E entrou, olhando para mim à medida que me afastava em direcção ao meu quarto. Vesti-me e sentei-me sobre a cama que estava ainda por fazer. Esperei calmamente pela hora de irmos. O meu pai estava para fora, como sempre. A minha mãe saia e entrava de casa, tentando sempre dar uma mãozinha à tua mãe.
O meu mano bateu à porta e perguntou-me se podia entrar. Consenti. Há vários anos que não entrava. Informou-me que o teu primo tinha telefonado. Ia ter comigo mais tarde. Sentou-se ao meu lado. Perguntou-me se estava só. Olhei em volta. Sorri. Sim estava só. As memórias do tempo em que era divertido estar contigo, do tempo em que podia realmente dizer que éramos amigas estavam a esvanecer. Olhei para ele que não tirava os olhos do quadro que me ofereceu quando estava na primária. Eu devia ter uns três ou quatro anos. Era o desenho de uma borboleta, a mais bonita que já tinha visto. Quando mo deu ensinou-me a dizer borboleta. Contentou-se com a minha tentativa frustrada de "boboeca". Olhou para o relógio e disse que estava na hora. Levantou-se e estendeu-me a mão. "E agora" retorqui eu, esperando por uma resposta reveladora. Ele nada disse. Abraçou-me e levou-me naquele abraço, amparando-me ao longo do caminho.
Nunca vira a tua casa tão cheia. Não conhecia nem metade das pessoas que me falavam amavelmente. Não prestava muita atenção ao que me diziam. Procurava-te com os olhos no meio da multidão. Não te vi. A tua mãe tinha uma olheiras que davam pena. Não a via assim desde aquela semana em que o teu pai saiu finalmente de casa. Foram todos para a igreja. Como sempre deixei-me ficar do lado de fora. Sabias que evitava entrar. Às vezes ficavas a fazer-me companhia. Conversávamos sobre a existência de Deus. Eu não era uma crente, tu não tomavas partidos. Não estavas muito convencida da Sua existência, mas não O negavas só para o caso de Ele realmente existir. A última vez que me vira em frente àquela igreja fora no casamento da tua irmã, uns nove meses atrás. Perguntava-me se estarias em casa. Há pelo menos mês e meio atrás que estavas de cama.
Sentia muito a tua falta. Tentei lembrar-me de ti a andar para cima e para baixo comigo. Foi-se tornando cada vez mais difícil. O teu pai chegou atrasado. Olhou para mim. Disse-me que aquilo não devia ter acontecido porém não foi capaz de dizer mais nada. Passado pouco tempo voltou a sair. Sentou-se ao meu lado. Meteu a cabeça entre as mãos. Fez-me perguntas sobre ti. Nunca pensei que ele gostasse tanto de ti. Não sabia que o teu estado era tão grave. Perguntou-me à quanto tempo estavas assim. A tua mãe evitava falar no assunto cada vez que ele telefonava. Tu sempre o desprezas-te. Cada vez que te telefonava, te mandava alguma coisa pelos anos ou Natal, tu achavas que era por se sentir culpado de te ter abandonado. Na verdade não era. Ele tinha abandonado a tua mãe, no entanto continuava a gostar de ti e dos teus irmãos. Falei-lhe sobre ti. Soube-me bem. Ele chorou. Acho que ele teve a noção de que não te conhecia mais. Realmente tu não eras mais aquela miúda que ele conhecera à cinco anos atrás. Tanto tinha acontecido desde essa altura, que se calhar mal te reconheceria se te visse na rua.
Antes de se levantar e ir embora, o teu pai despediu-se de mim como se se despedisse de ti para sempre. Chorou tanto que tive pena dele. Se tu estivesses ali sabia que dirias que quem tem penas são as galinhas.
As pessoas começaram a sair. Andavam umas atrás das outras como numa procissão. A minha mãe parou junto a mim. Perguntou-me se iria com eles. Disse-lhe que não. Não valia a pena. Continuei sentada no mesmo sítio. Esperava ainda por ti. Deixei o tempo passar e calmamente, sem pressas, ele passou. Tu já não vinhas. No fundo eu sabia. Sem pensar comecei a andar. Quando Mahomet não vem à montanha, vai a montanha a Mahomet. Quando cheguei todos se dispersaram. Parecia que sabiam que precisávamos de conversar. Deixaram-nos a sós.
Tive coragem e despedi-me de ti. Perdoei-te por me teres deixado. Na verdade tu partiras no dia em que começaste a dar-te bem com os teus novos amigos. No entanto desta vez não haveria retorno. Maldito vício que te afastava cada dia para mais longe de todos nós. Como podias ter tu abandonado as pessoas que mais te amavam. Ouvia repetidamente dentro da minha cabeça as palavras do teu pai. Via diante dos meus olhos o sofrimento de toda a tua família. Lembrei-me o dia em que confessaste o teu primeiro grande erro. Lembro-me do medo e vergonha que sentiste, do quanto choraste, das promessas que me fizeste. Disseste-me adeus nesse dia sem porém o realmente dizer. O teu primo chegou. Ele abraçou-me, eu chorei. Admiti a tua morte. Hoje era a minha vez de te dizer adeus.
Adeus!
Não tinha nada para te oferecer para além de afecto. Não te mostraste interessada. Partilhei contigo memórias. Não sorriste sequer. Fechaste-te num mundo demasiado duro para que pudesse penetrá-lo. Estavas tão à vontade dentro dele que parecia ter sido feito à tua medida. Estranhei o motivo que, pela primeira vez, me impedia de entrar. Tentei a todo o esforço falar contigo. Tu não emitiste um som. Teus olhos viam através de mim. Cheguei a duvidar de que estava no mesmo quarto que tu. Não consegui despertar em ti nenhuma emoção. Estavas tão magra, tão calma, tão longe de mim que parecias preparada para deixar a qualquer momento o teu corpo e partir.
Chorei. Nem te apercebeste. Abracei-te. Senti todos os teus ossos, mas não te senti a ti. Fiz-te promessas. Não sei se as ouviste. A última era de que não chorava se de facto morresses. Sorriste e foi o último gesto que fizeste. Tombaste lentamente para o lado como quem se deixa ir. Parecia que apenas tinhas adormecido. Mas esse sono seria para toda a eternidade. Não te levantaste mais. Nunca mais.
A tua mãe disse-me que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Que ter-me visto tinha sido o teu ultimo pedido e que estava feliz por o ter realizado. Beijou-me como se também ela se despedisse de mim. Disse-me para não me esquecer que estava em casa. Virou costas com toda a calma e foi para o telefone. Confirmou dizendo que te podiam vir buscar. Pediu-me que a ajudasse a escolher uma roupa. Acedi mas à porta do teu quarto parei. Não tinha coragem de voltar a entrar. Ela compreendeu. Perguntou-me se ia embora, confirmei-lhe com um abanar de cabeça. Ela sorriu e pediu-me que não desaparecesse. Recusei-me a chorar. Cumpriria a promessa. Fiquei como tu, sem palavras. O que é que poderia haver a dizer? A tua mãe estava tão calma que cheguei a pensar que não passava de uma brincadeira. Amanhã passaria por tua casa como fazia desde que estavas assim. Amanhã veria que tudo estava na mesma. Não podias ter partido. Como tu própria dizias não tinhas para onde ir.
Tive medo que não soubesses que gostava de ti. Voltei para trás para to dizer. À porta de tua casa parei. Tu sabias que sim. Lembrei-me de quando me pediste para te ajudar a fazer o teu curriculum. Disseste que não querias ficar sem nada para fazer depois de acontecer tudo o que tinha de acontecer. Foi a última vez que vi a tua mãe chorar. Após ver que estavas em paz com o fim também ela acabou por se conformar. Mas eu nunca fora assim. O teu fim não dizia respeito só a ti. Então e eu? Como pudeste ter coragem de te ires embora sem me dizer nada. Sem me perguntares se não me importava. Sim, fiquei chateada contigo. Ultimamente não me dizias nada. Deixavas-me constantemente de parte. E acredita que desta vez um simples "desculpa" não serviria...
Corri para casa. Podias lembrar-te de me telefonares. Tinha de estar em casa à espera do teu telefonema. Cheguei. A minha mãe quis falar. Como sempre não estava disposta a isso. Disse-lhe que não podia ser naquela altura. Mais tarde, talvez. Aceitou. Sentei-me junto ao telefone. Liguei o televisor. Esperei durante horas. O telefone tocou. Atendi decidida a não te perdoar sem mais nem menos. Tinhas de te explicar. Não eras tu. Fiquei um pouco desiludida mas passei o telefone ao meu irmão. Pedi-lhe para não demorar. Disse-lhe que esperava um telefonema. Pela primeira vez não discutiu comigo. Passou-me a mão pelo cabelo e prometeu não demorar muito. Logo depois de desligar, o telefone voltou a tocar. Atendi. Era a tua mãe. Disse-me que estava tudo pronto. Para aparecer lá de manhã. Depois pediu para falar com a minha mãe. Passei o telefone. Fui para o meu quarto. Só não lhe perguntei por ti porque sei o quanto ficavas chateada comigo quando falava com a tua mãe. Depois ela queria sempre saber o que tinha acontecido e quem a ouvia eras tu. Sabia que não aguentarias não falar comigo amanhã. A única vez que ficaste 24 horas sem falar comigo foi quando acabaste com um dos teus namorados depois de eu te dizer que ele se tinha atirado a mim. Mas até isso passou.
Adormeci, acordando apenas na manhã seguinte. A minha mãe é que me veio acordar. Tinha tirado do armário o vestido preto que tanto gostava. Lembro-me quando tu me confessaste que o teu primo me tinha adorado ver com aquele vestido. Advertiste-me imediatamente para não o usar muitas vezes ou teria de o aguentar todos os fins de semana. Nunca te disse mas eu sempre gostara dele. E lá no fundo tu sabias. Não era preciso nenhuma de nós dizer nada. Só de olhar para mim sabias. Não ficaste portanto surpreendida quando te contei que estávamos "a andar". Ficaste feliz por mim. Contava-te tudo o que se passava. E tu costumavas ficar tão entusiasmada quanto eu.
Fui tomar banho. Quando pequenas costumavas vir para minha casa. Muitas vezes tomávamos banho juntas. Adoravas pôr o meu cabelo em pé, como a crista de uma galinha. Depois rias-te de mim e atiravas-me com água. Logo que começávamos a chapinhar na água ouvíamos a voz da minha mãe que rapidamente acorria à casa de banho. Ralhava sempre connosco por deixarmos o chão ensopado. Mas acabava por ceder ao nosso olhar triste e culpado. Divertíamo-nos imenso. Saí da casa de banho enrolada na toalha. O meu irmão que esperava calmamente para entrar, olhou para mim carinhosamente. Deu-me um beijo na testa. E entrou, olhando para mim à medida que me afastava em direcção ao meu quarto. Vesti-me e sentei-me sobre a cama que estava ainda por fazer. Esperei calmamente pela hora de irmos. O meu pai estava para fora, como sempre. A minha mãe saia e entrava de casa, tentando sempre dar uma mãozinha à tua mãe.
O meu mano bateu à porta e perguntou-me se podia entrar. Consenti. Há vários anos que não entrava. Informou-me que o teu primo tinha telefonado. Ia ter comigo mais tarde. Sentou-se ao meu lado. Perguntou-me se estava só. Olhei em volta. Sorri. Sim estava só. As memórias do tempo em que era divertido estar contigo, do tempo em que podia realmente dizer que éramos amigas estavam a esvanecer. Olhei para ele que não tirava os olhos do quadro que me ofereceu quando estava na primária. Eu devia ter uns três ou quatro anos. Era o desenho de uma borboleta, a mais bonita que já tinha visto. Quando mo deu ensinou-me a dizer borboleta. Contentou-se com a minha tentativa frustrada de "boboeca". Olhou para o relógio e disse que estava na hora. Levantou-se e estendeu-me a mão. "E agora" retorqui eu, esperando por uma resposta reveladora. Ele nada disse. Abraçou-me e levou-me naquele abraço, amparando-me ao longo do caminho.
Nunca vira a tua casa tão cheia. Não conhecia nem metade das pessoas que me falavam amavelmente. Não prestava muita atenção ao que me diziam. Procurava-te com os olhos no meio da multidão. Não te vi. A tua mãe tinha uma olheiras que davam pena. Não a via assim desde aquela semana em que o teu pai saiu finalmente de casa. Foram todos para a igreja. Como sempre deixei-me ficar do lado de fora. Sabias que evitava entrar. Às vezes ficavas a fazer-me companhia. Conversávamos sobre a existência de Deus. Eu não era uma crente, tu não tomavas partidos. Não estavas muito convencida da Sua existência, mas não O negavas só para o caso de Ele realmente existir. A última vez que me vira em frente àquela igreja fora no casamento da tua irmã, uns nove meses atrás. Perguntava-me se estarias em casa. Há pelo menos mês e meio atrás que estavas de cama.
Sentia muito a tua falta. Tentei lembrar-me de ti a andar para cima e para baixo comigo. Foi-se tornando cada vez mais difícil. O teu pai chegou atrasado. Olhou para mim. Disse-me que aquilo não devia ter acontecido porém não foi capaz de dizer mais nada. Passado pouco tempo voltou a sair. Sentou-se ao meu lado. Meteu a cabeça entre as mãos. Fez-me perguntas sobre ti. Nunca pensei que ele gostasse tanto de ti. Não sabia que o teu estado era tão grave. Perguntou-me à quanto tempo estavas assim. A tua mãe evitava falar no assunto cada vez que ele telefonava. Tu sempre o desprezas-te. Cada vez que te telefonava, te mandava alguma coisa pelos anos ou Natal, tu achavas que era por se sentir culpado de te ter abandonado. Na verdade não era. Ele tinha abandonado a tua mãe, no entanto continuava a gostar de ti e dos teus irmãos. Falei-lhe sobre ti. Soube-me bem. Ele chorou. Acho que ele teve a noção de que não te conhecia mais. Realmente tu não eras mais aquela miúda que ele conhecera à cinco anos atrás. Tanto tinha acontecido desde essa altura, que se calhar mal te reconheceria se te visse na rua.
Antes de se levantar e ir embora, o teu pai despediu-se de mim como se se despedisse de ti para sempre. Chorou tanto que tive pena dele. Se tu estivesses ali sabia que dirias que quem tem penas são as galinhas.
As pessoas começaram a sair. Andavam umas atrás das outras como numa procissão. A minha mãe parou junto a mim. Perguntou-me se iria com eles. Disse-lhe que não. Não valia a pena. Continuei sentada no mesmo sítio. Esperava ainda por ti. Deixei o tempo passar e calmamente, sem pressas, ele passou. Tu já não vinhas. No fundo eu sabia. Sem pensar comecei a andar. Quando Mahomet não vem à montanha, vai a montanha a Mahomet. Quando cheguei todos se dispersaram. Parecia que sabiam que precisávamos de conversar. Deixaram-nos a sós.
Tive coragem e despedi-me de ti. Perdoei-te por me teres deixado. Na verdade tu partiras no dia em que começaste a dar-te bem com os teus novos amigos. No entanto desta vez não haveria retorno. Maldito vício que te afastava cada dia para mais longe de todos nós. Como podias ter tu abandonado as pessoas que mais te amavam. Ouvia repetidamente dentro da minha cabeça as palavras do teu pai. Via diante dos meus olhos o sofrimento de toda a tua família. Lembrei-me o dia em que confessaste o teu primeiro grande erro. Lembro-me do medo e vergonha que sentiste, do quanto choraste, das promessas que me fizeste. Disseste-me adeus nesse dia sem porém o realmente dizer. O teu primo chegou. Ele abraçou-me, eu chorei. Admiti a tua morte. Hoje era a minha vez de te dizer adeus.
Adeus!
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
the end... (multi-part story)
Ela sentiu a sua alma pesada. Respirava calma e profundamente tentando aliviar o aperto que sentia no coração. Não estava feliz. Sentia uma enorme vontade de chorar mas não o fazia. Sentada junto à janela do seu apartamento no quinto andar, olhava sobre a cidade. Adorava ficar ali sentada, embrulhada numa manta, a observar o transito. Especialmente nas noites chuvosas de inverno. A chuva batia e escorria pela janela como quem chora. Lá em baixo, a iluminação das ruas e dos carros sobressaíam sobre o manto escuro da noite. Levantou-se do seu cantinho. Foi à cozinha buscar gelado. Resolveu fazer nessa noite um pouco de tudo que gostava.
Antes de voltar para o seu lugar especial passou pela aparelhagem. Colocou um dos seus CDs preferidos a tocar. A cada colherada que dava e que calmamente saboreava, relembrava todos aos quais tentara dizer e não conseguira transmitir a mensagem. E os sinais que dava não tinham começado no dia ou semana anterior. Não. Há já vários meses que tentava fazer com que compreendessem. Talvez não se importassem. Talvez pensassem que não tinha coragem.
Tentava pensar nos amigos. Nos bons momentos vividos com eles. Não conseguia. Só lhe vinham à memória os insultos, as críticas, o desprezo... De nada mais se conseguia lembrar. Não era capaz de recordar a última vez que sorrira. As lágrimas ameaçavam cair a todo o momento. E a vontade de as conter era cada vez menor.
Olhava desesperadamente para o telefone. Esperava um telefonema de ninguém em especial. Algo que a impedisse. Implorava por qualquer coisa, por alguém, sem saber bem a quem. A solidão era tão grande que se sentia a ser esmagada por ela. Sentia-se mínima. O que não dava por um amigo, por uma palavra carinhosa, por um sorriso. Tudo! Estava disposta a dar tudo, até a vida, por qualquer coisa mais do que o tinha. Não tinha sido capaz de encontrar ninguém disposta a fazê-lo.
Sentia que estava a ser invadida pelo desespero. Não aguentava mais. Pela última vez tentou telefonar ao seu melhor amigo. De novo ninguém atendeu. Desta vez não foi sequer capaz de deixar mensagem. Já o tinha feito mais de dez vezes, na esperança que alguém ouvisse e a viesse salvar dessa angústia.
Desistiu. Largou o auscultador. Pousou a embalagem do gelado. Levantou-se. Abandonou a manta. Caminhou calmamente em direcção à porta. Abriu-a e saiu. Continuou, parou só em frente ao elevador. Carregou no botão, chamando-o. Esperou. Ouviu o barulho que anunciava a chegada do elevador. As portas abriram-se. Entrou. Pressionou no dispositivo referente ao último andar. Olhou para o corredor até as portas se fecharem. Olhou-se ao espelho e limpou as lágrimas. Fitou de novo as portas que, pouco depois, se voltaram a abrir. Saiu. Subiu o último lanço de escadas que davam acesso ao terraço do telhado. Caminhou até ao muro. Olhou lá para baixo, para a rua. Sentou-se no muro. Agarrou-se com toda a sua força. Tinha vertigens. Sentia a todo o momento que alguém poderia aparecer por detrás e que poderia empurrá-la. Sentiu medo de morrer. Fechou os olhos e chorou. Chorou horas a fio. Quis gritar desalmadamente. Porém não o fez. Esperou por alguém que a salvasse. Acreditava terminantemente que alguém viria. Mas ninguém apareceu. Ninguém. Olhou para o relógio. Não chegou a ver que horas eram. Sabia que já era tarde demais. E simplesmente desistiu.
Gritou.
Saltou.
Tudo o que queria era ver, ocasionalmente, uma mão disposta a ajudar. Tudo o que queria era que olhassem para ela e que realmente a vissem. Tudo o que queria era poder falar com alguém. Tudo o que queria era voltar a sorrir. Sentia que não era pedir muito. Odiava estar posta de parte. Estava farta de não ser ninguém. Estava farta de tentar e não conseguir. Abominava a solidão que cada dia a matava um pouco mais. Só queria ver que alguém estaria lá para o que fosse preciso.
Viu o chão aproximar-se. Estava aterrorizada. Via o fim cada vez mais próximo.
Lembrou-se da sua infância. Da casa onde vivera nos seus primeiros anos de vida. Dos parentes mais chegados. Lembrou-se das suas idas à praia. Dos seus gelados preferidos. Da cor do mar. Da textura da areia. Lembrou-se dos campos cobertos de flores durante a primavera. Das flores amarelas que colhia todos os anos. Dos passarinhos que caíam dos ninhos e que ajudava a criar. Lembrou-se dos passeios que fazia aos fins de semana com os avós. Da habitual passagem pelo rio. Das suas brincadeiras na água. Dos grandes almoços que lá faziam.
Chorava. Via o fim chegar.
Lembrou-se da sua adolescência. Dos amigos. Dos colegas de escola. Dos amores. Dos desgostos. Mas principalmente lembrou-se de como era feliz e de como já não o era. Mais que nunca quis morrer. Passaram-lhe pela cabeça a cara da melhor amiga de infância, do primeiro namorado, dos pais... sentiu vergonha. Ela já tinha desistido. Não havia caminho de volta.
Chegou ao fim. Ficou estendida no passeio. A cidade parecia deserta. Nem assim lhe davam um momento de atenção. A chuva caiu cada vez mais forte.
Sim. Estava triste. Estava desesperada. Ninguém era capaz de ver que cada vez mais se estava a afundar no seu próprio mundo. Sentia-se sufocar. Chorava. Não era capaz de parar. Sentia-se abandonada. Esquecida num canto. Sem uma palavra de carinho de conforto.
Despiu-se. Deixou as peças de roupa espalhadas pelo chão do quarto. Olhou discretamente pela janela. Era já praticamente de noite. A chuva caía incessantemente. As ruas estavam repletas de carros. Era hora de ponta. No entanto não via ninguém passar. Virou costas. Olhou para os retratos de pessoas que conhecia. Questionava-se se realmente os conhecia, ou se eles a conheciam a ela. Não estava muito convencida de que pudesse haver um mutuo conhecimento.
Caminhou para a porta do quarto que se encontrava, como sempre, aberta. Não era habitual fechá-la. Vivia sozinha, não havia necessidade de o fazer. Passou pela porta. Caminhou pelo corredor. Entrou na casa de banho. Abriu as torneiras da banheira. Deixou a água a correr. Retirou o robe que estava pendurado por detrás da porta. Vestiu-o. Verificou a temperatura da água. Deixou a banheira ir enchendo gradualmente. Pegou num frasquinho de óleos e despejou-o na água. Saiu da casa de banho.
Atravessou a sala e entrou na cozinha. Encheu um copo com sumo de fruta natural. Pegou no copo e sentou-se no sofá. Olhou para o telefone. Voltou para a cozinha. Abriu todas as gavetas. Abriu os armários. Olhou para o que procurava e meteu-a ao bolso. Voltou à sala. Voltou a sentar-se e a pegar no copo. Levou-o à boca. Não chegou a beber. Pegou no telefone. Marcou o número. Precisava de falar. Escolheu aquele que julgava ser o seu maior amigo. Não tinha mais ninguém. Deixou tocar. Ninguém atendeu. Desesperou. Chorou. Quando acalmou e parou de chorar, estava ainda mais determinada a fazê-lo do que antes.
Levantou-se do sofá. Levou o copo de sumo e o telefone para a casa de banho. A água já transbordava da banheira. Fechou as torneiras. Despiu o robe. Entrou na banheira. Remarcou o número. Tentou mais uma vez. Deixou-o tocar. Posou o telefone no chão encharcado. Deixou o auscultador pousado ao lado. Deixou-se submergir. Voltou à superfície. Passou as mãos pelo cabelo molhado. Apanhou o robe do chão. Deixou-o pingar continuamente enquanto procurava o bolso. Retirou de dentro dele uma faca.
Olhou para o relógio. Estava parado. Eram dezanove horas, quarenta e três minutos e dezoito segundos. Tirou-o do pulso. Sorriu. Deixou-o cair na água. Deslizou a faca pelo pulso fazendo alguma pressão. Sentiu um forte ardor. Repetiu o procedimento com o outro pulso. Mais rápido do que contava a água que a mantinha quente tornou-se vermelha. Não pensou em nada. Não recordou os momentos bons nem os maus. Apenas chorou.
Perdeu os sentidos. Não voltou a recuperá-los nunca mais. Mas da mesma forma não recuperou nunca mais a dor que a levara a cometer aquele acto. Deixou de se sentir triste e só. Deixou de chorar. Sorriu. Morreu.
O seu corpo ficou inerte dentro de água. A faca ensanguentada caíra ao chão. Ficara em cima do robe branco. Os seus olhos extremamente abertos fitavam a porta. Esperavam tardiamente por alguém que a viesse salvar. Reinava na casa uma calma absoluta. A chuva batia cada vez mais forte na janela. O som da linha ocupada subia de tom gradualmente. A torneira pingava. Gota a gota fazia a água estremecer e escorrer pela parede da banheira até ao chão.
Em cima da cama estava uma carta. Uma despedida que não tivera oportunidade de fazer pessoalmente. Não era dirigida a ninguém em especial. Talvez a tivesse escrito apenas para se despedir de si mesma. Para dizer adeus e pedir desculpa pelo que estava a fazer a si própria. Talvez estivesse a tentar fazer com que todos que não lhe tinham dado atenção se sentissem culpados. Estava a dar-lhes o castigo que achava que mereciam.
Encheu o copo com vodka e sumo de maçã, pela sexta vez. Pegou na caixa dos analgésicos. Já os tinha tomado a todos. Procurou outros. Não encontrou. Desistiu deles. Foi ao quarto. Abriu a gaveta da sua roupa interior. Retirou de lá o revolver. Chorou. Abriu a boca. Fez tudo como vira imensas vezes nos filmes. As lágrimas não paravam de cair. Disparou.
O seu corpo ficou estendido, apático, no chão. Na parede atrás de si escorria sangue. Não havia nada a fazer.
Antes de voltar para o seu lugar especial passou pela aparelhagem. Colocou um dos seus CDs preferidos a tocar. A cada colherada que dava e que calmamente saboreava, relembrava todos aos quais tentara dizer e não conseguira transmitir a mensagem. E os sinais que dava não tinham começado no dia ou semana anterior. Não. Há já vários meses que tentava fazer com que compreendessem. Talvez não se importassem. Talvez pensassem que não tinha coragem.
Tentava pensar nos amigos. Nos bons momentos vividos com eles. Não conseguia. Só lhe vinham à memória os insultos, as críticas, o desprezo... De nada mais se conseguia lembrar. Não era capaz de recordar a última vez que sorrira. As lágrimas ameaçavam cair a todo o momento. E a vontade de as conter era cada vez menor.
Olhava desesperadamente para o telefone. Esperava um telefonema de ninguém em especial. Algo que a impedisse. Implorava por qualquer coisa, por alguém, sem saber bem a quem. A solidão era tão grande que se sentia a ser esmagada por ela. Sentia-se mínima. O que não dava por um amigo, por uma palavra carinhosa, por um sorriso. Tudo! Estava disposta a dar tudo, até a vida, por qualquer coisa mais do que o tinha. Não tinha sido capaz de encontrar ninguém disposta a fazê-lo.
Sentia que estava a ser invadida pelo desespero. Não aguentava mais. Pela última vez tentou telefonar ao seu melhor amigo. De novo ninguém atendeu. Desta vez não foi sequer capaz de deixar mensagem. Já o tinha feito mais de dez vezes, na esperança que alguém ouvisse e a viesse salvar dessa angústia.
Desistiu. Largou o auscultador. Pousou a embalagem do gelado. Levantou-se. Abandonou a manta. Caminhou calmamente em direcção à porta. Abriu-a e saiu. Continuou, parou só em frente ao elevador. Carregou no botão, chamando-o. Esperou. Ouviu o barulho que anunciava a chegada do elevador. As portas abriram-se. Entrou. Pressionou no dispositivo referente ao último andar. Olhou para o corredor até as portas se fecharem. Olhou-se ao espelho e limpou as lágrimas. Fitou de novo as portas que, pouco depois, se voltaram a abrir. Saiu. Subiu o último lanço de escadas que davam acesso ao terraço do telhado. Caminhou até ao muro. Olhou lá para baixo, para a rua. Sentou-se no muro. Agarrou-se com toda a sua força. Tinha vertigens. Sentia a todo o momento que alguém poderia aparecer por detrás e que poderia empurrá-la. Sentiu medo de morrer. Fechou os olhos e chorou. Chorou horas a fio. Quis gritar desalmadamente. Porém não o fez. Esperou por alguém que a salvasse. Acreditava terminantemente que alguém viria. Mas ninguém apareceu. Ninguém. Olhou para o relógio. Não chegou a ver que horas eram. Sabia que já era tarde demais. E simplesmente desistiu.
Gritou.
Saltou.
Tudo o que queria era ver, ocasionalmente, uma mão disposta a ajudar. Tudo o que queria era que olhassem para ela e que realmente a vissem. Tudo o que queria era poder falar com alguém. Tudo o que queria era voltar a sorrir. Sentia que não era pedir muito. Odiava estar posta de parte. Estava farta de não ser ninguém. Estava farta de tentar e não conseguir. Abominava a solidão que cada dia a matava um pouco mais. Só queria ver que alguém estaria lá para o que fosse preciso.
Viu o chão aproximar-se. Estava aterrorizada. Via o fim cada vez mais próximo.
Lembrou-se da sua infância. Da casa onde vivera nos seus primeiros anos de vida. Dos parentes mais chegados. Lembrou-se das suas idas à praia. Dos seus gelados preferidos. Da cor do mar. Da textura da areia. Lembrou-se dos campos cobertos de flores durante a primavera. Das flores amarelas que colhia todos os anos. Dos passarinhos que caíam dos ninhos e que ajudava a criar. Lembrou-se dos passeios que fazia aos fins de semana com os avós. Da habitual passagem pelo rio. Das suas brincadeiras na água. Dos grandes almoços que lá faziam.
Chorava. Via o fim chegar.
Lembrou-se da sua adolescência. Dos amigos. Dos colegas de escola. Dos amores. Dos desgostos. Mas principalmente lembrou-se de como era feliz e de como já não o era. Mais que nunca quis morrer. Passaram-lhe pela cabeça a cara da melhor amiga de infância, do primeiro namorado, dos pais... sentiu vergonha. Ela já tinha desistido. Não havia caminho de volta.
Chegou ao fim. Ficou estendida no passeio. A cidade parecia deserta. Nem assim lhe davam um momento de atenção. A chuva caiu cada vez mais forte.
Sim. Estava triste. Estava desesperada. Ninguém era capaz de ver que cada vez mais se estava a afundar no seu próprio mundo. Sentia-se sufocar. Chorava. Não era capaz de parar. Sentia-se abandonada. Esquecida num canto. Sem uma palavra de carinho de conforto.
Despiu-se. Deixou as peças de roupa espalhadas pelo chão do quarto. Olhou discretamente pela janela. Era já praticamente de noite. A chuva caía incessantemente. As ruas estavam repletas de carros. Era hora de ponta. No entanto não via ninguém passar. Virou costas. Olhou para os retratos de pessoas que conhecia. Questionava-se se realmente os conhecia, ou se eles a conheciam a ela. Não estava muito convencida de que pudesse haver um mutuo conhecimento.
Caminhou para a porta do quarto que se encontrava, como sempre, aberta. Não era habitual fechá-la. Vivia sozinha, não havia necessidade de o fazer. Passou pela porta. Caminhou pelo corredor. Entrou na casa de banho. Abriu as torneiras da banheira. Deixou a água a correr. Retirou o robe que estava pendurado por detrás da porta. Vestiu-o. Verificou a temperatura da água. Deixou a banheira ir enchendo gradualmente. Pegou num frasquinho de óleos e despejou-o na água. Saiu da casa de banho.
Atravessou a sala e entrou na cozinha. Encheu um copo com sumo de fruta natural. Pegou no copo e sentou-se no sofá. Olhou para o telefone. Voltou para a cozinha. Abriu todas as gavetas. Abriu os armários. Olhou para o que procurava e meteu-a ao bolso. Voltou à sala. Voltou a sentar-se e a pegar no copo. Levou-o à boca. Não chegou a beber. Pegou no telefone. Marcou o número. Precisava de falar. Escolheu aquele que julgava ser o seu maior amigo. Não tinha mais ninguém. Deixou tocar. Ninguém atendeu. Desesperou. Chorou. Quando acalmou e parou de chorar, estava ainda mais determinada a fazê-lo do que antes.
Levantou-se do sofá. Levou o copo de sumo e o telefone para a casa de banho. A água já transbordava da banheira. Fechou as torneiras. Despiu o robe. Entrou na banheira. Remarcou o número. Tentou mais uma vez. Deixou-o tocar. Posou o telefone no chão encharcado. Deixou o auscultador pousado ao lado. Deixou-se submergir. Voltou à superfície. Passou as mãos pelo cabelo molhado. Apanhou o robe do chão. Deixou-o pingar continuamente enquanto procurava o bolso. Retirou de dentro dele uma faca.
Olhou para o relógio. Estava parado. Eram dezanove horas, quarenta e três minutos e dezoito segundos. Tirou-o do pulso. Sorriu. Deixou-o cair na água. Deslizou a faca pelo pulso fazendo alguma pressão. Sentiu um forte ardor. Repetiu o procedimento com o outro pulso. Mais rápido do que contava a água que a mantinha quente tornou-se vermelha. Não pensou em nada. Não recordou os momentos bons nem os maus. Apenas chorou.
Perdeu os sentidos. Não voltou a recuperá-los nunca mais. Mas da mesma forma não recuperou nunca mais a dor que a levara a cometer aquele acto. Deixou de se sentir triste e só. Deixou de chorar. Sorriu. Morreu.
O seu corpo ficou inerte dentro de água. A faca ensanguentada caíra ao chão. Ficara em cima do robe branco. Os seus olhos extremamente abertos fitavam a porta. Esperavam tardiamente por alguém que a viesse salvar. Reinava na casa uma calma absoluta. A chuva batia cada vez mais forte na janela. O som da linha ocupada subia de tom gradualmente. A torneira pingava. Gota a gota fazia a água estremecer e escorrer pela parede da banheira até ao chão.
Em cima da cama estava uma carta. Uma despedida que não tivera oportunidade de fazer pessoalmente. Não era dirigida a ninguém em especial. Talvez a tivesse escrito apenas para se despedir de si mesma. Para dizer adeus e pedir desculpa pelo que estava a fazer a si própria. Talvez estivesse a tentar fazer com que todos que não lhe tinham dado atenção se sentissem culpados. Estava a dar-lhes o castigo que achava que mereciam.
Encheu o copo com vodka e sumo de maçã, pela sexta vez. Pegou na caixa dos analgésicos. Já os tinha tomado a todos. Procurou outros. Não encontrou. Desistiu deles. Foi ao quarto. Abriu a gaveta da sua roupa interior. Retirou de lá o revolver. Chorou. Abriu a boca. Fez tudo como vira imensas vezes nos filmes. As lágrimas não paravam de cair. Disparou.
O seu corpo ficou estendido, apático, no chão. Na parede atrás de si escorria sangue. Não havia nada a fazer.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
Quem sou
Quem sou? Eu... Apenas eu.
Até pode soar a pouco mas não se deixem enganar... Eu sou um mundo!
Um mundo pleno de emoções, repleto de experiências, cheio de dúvidas e certezas... Sou maior do que o corpo que me envolve, maior que as extensões dos meus actos, maior que a ramificação dos meus conhecimentos... Sou TUDO dentro de pouco...
E sou quem sou pelo que sou... sou quem sou pelo que faço, pelo que digo, mas também pela forma como o faço e o digo. Sou quem sou pelo sorriso que me sai naturalmente quando estou feliz, que surge quando transmito compreensão, que forço quando quero despachar quem não suporto... Sou quem sou pelo meu olhar: intenso e apaixonado quando olho para tudo que me maravilha; carinhoso quando olho para todos que me fazem feliz; provocante e malandro quando olho para determinados rapazes que nunca vi antes e que provavelmente nunca voltarei a ver; vazio quando olho para o infinito atravesando tudo o que passa à minha frente...
Sou quem sou pelos abraços que recebo, pelas verdades que me saiem da alma, pelos desejos mais profundos e intimos que brotam de dentro de mim...
Sou quem sou pelo que sou. Não serei nunca por referência a terceiros. Recuso-me a definir-me pelo namorado que tenha ou não; pelos amigos que tenho, que tive ou que virei a ter; pela profissão que vier a desempenhar; pelos filhos que possa vir a ter; pela familia que tenho... Tudo isso pode definir o que me rodeia e me influencia mas não define a minha essência, a pessoa que sou e que poderei vir a ser.
Assim sendo, não temo o que possa vir dos outros. Pode magoar-me, pode desiludir-me, pode entristecer-me... mas nunca será capaz de me derrubar. Sei sempre EU... Basta que acredite nisso e aja de acordo com essa crença... Nunca me irei perder de mim própria ainda que possa ficar com uma visão de mim um pouco turva ou desfocada. SOU QUEM SOU e espero ter sempre a coragem de andar em frente, a força de vontade de seguir com a minha vida e não esquecer nunca esta convicção e lucidez que tenho neste momento.
Até pode soar a pouco mas não se deixem enganar... Eu sou um mundo!
Um mundo pleno de emoções, repleto de experiências, cheio de dúvidas e certezas... Sou maior do que o corpo que me envolve, maior que as extensões dos meus actos, maior que a ramificação dos meus conhecimentos... Sou TUDO dentro de pouco...
E sou quem sou pelo que sou... sou quem sou pelo que faço, pelo que digo, mas também pela forma como o faço e o digo. Sou quem sou pelo sorriso que me sai naturalmente quando estou feliz, que surge quando transmito compreensão, que forço quando quero despachar quem não suporto... Sou quem sou pelo meu olhar: intenso e apaixonado quando olho para tudo que me maravilha; carinhoso quando olho para todos que me fazem feliz; provocante e malandro quando olho para determinados rapazes que nunca vi antes e que provavelmente nunca voltarei a ver; vazio quando olho para o infinito atravesando tudo o que passa à minha frente...
Sou quem sou pelos abraços que recebo, pelas verdades que me saiem da alma, pelos desejos mais profundos e intimos que brotam de dentro de mim...
Sou quem sou pelo que sou. Não serei nunca por referência a terceiros. Recuso-me a definir-me pelo namorado que tenha ou não; pelos amigos que tenho, que tive ou que virei a ter; pela profissão que vier a desempenhar; pelos filhos que possa vir a ter; pela familia que tenho... Tudo isso pode definir o que me rodeia e me influencia mas não define a minha essência, a pessoa que sou e que poderei vir a ser.
Assim sendo, não temo o que possa vir dos outros. Pode magoar-me, pode desiludir-me, pode entristecer-me... mas nunca será capaz de me derrubar. Sei sempre EU... Basta que acredite nisso e aja de acordo com essa crença... Nunca me irei perder de mim própria ainda que possa ficar com uma visão de mim um pouco turva ou desfocada. SOU QUEM SOU e espero ter sempre a coragem de andar em frente, a força de vontade de seguir com a minha vida e não esquecer nunca esta convicção e lucidez que tenho neste momento.
terça-feira, 5 de dezembro de 2006
not yet in the past
This will all fall down... Like everything else that was, this too shall pass.
And all of the words we said, we can't take back...
Now every fool in town would've left by now, I cant replace all the wasted days, the memory of your face...
Can't help thinkin... Maybe if we ever could of kept it all together where would we be?
A thousand lost forevers and the promises you never were giving me...
Tell me one more time, how you're sorry about the way this all went down
You needed to find your space... You needed to still be friends... Needed me to call you if I ever couldn't keep it all together, you'd comfort me. Tell me but forever, and the promises I never should have believed in...
This will all fall down... Like everything in the world, this too must end... And all the words we said, we can't take back!
And all of the words we said, we can't take back...
Now every fool in town would've left by now, I cant replace all the wasted days, the memory of your face...
Can't help thinkin... Maybe if we ever could of kept it all together where would we be?
A thousand lost forevers and the promises you never were giving me...
Tell me one more time, how you're sorry about the way this all went down
You needed to find your space... You needed to still be friends... Needed me to call you if I ever couldn't keep it all together, you'd comfort me. Tell me but forever, and the promises I never should have believed in...
This will all fall down... Like everything in the world, this too must end... And all the words we said, we can't take back!
(matchbox 20)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Pensamento do dia
A hug

