Os olhos pesam e ardem, querem fechar-se. Mas eu não deixo!
O vento forte abana os estores e a janela. O seu som aflito ao passar assusta.
O rádio ajuda a fazer companhia e a afastar o cansaço fisico.
A luz impede a imaginação de divagar e de encontrar o mundo dos sonhos, onde tudo é possível.
Não quero adormecer!
Não quero sonhar mais!
Estou farta de desilusões.
Estou cansada de mentiras.
Esta não é uma boa noite e dela não sairão bons sonhos... sejam eles cor de rosa, azuis, amarelos, verdes ou de qualquer outra cor.
Sei que o cansaço irá vencer esta batalha pois não posso protelar para sempre o adormecer...
Contudo, se aguentar o suficiente, ficarei tão cansada que nem irei sonhar.
Isso já me basta. Já é meio caminho...
O outro meio é saber que luto e que não aceito de braços cruzados tudo o que acontece. Nem mesmo o mais natural.
Se formos fortes seremos capazes de lutar contra tudo e todos... até contra nós próprios.
Mas é importante sabermos escolher as nossas lutas...
E, enquanto que D. Quixote lutava contra moinhos de vento, eu luto contra os sonhos. Ambos são monstros disfarçados que nos derrubarão mal nos apanhem mais distraídos... (há que ter cuidado)
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