Não disseste uma única palavra. Ficaste relativamente imóvel nessa cadeira da explanada do café da praia. Os teus cabelos meios ondulados flutuaram com a brisa, mas não muito. Estariam eles também cansados de me ouvir? Esperei por qualquer coisa que me convidasse a, uma vez mais, partilhar a minha alma contigo. Mas nem um sorriso saiu. Olhavas fixamente para mim sem o calor carinhoso típico do teu olhar com sabor a cacau e avelãs. Apesar de estares apenas do lado oposto da mesa estavas tão longe de mim. Quis perguntar-te porque não partilhavas comigo há tanto tempo todas as belas cores com que pintas a tua alma. Mas as palavras não se formaram. O som não saiu. Não te perguntei. Deixei-me ficar com o meu copo de água mineral gaseificada e aromatizada na mão e fui bebericando aos poucos, tentando distrair-me. Não queria pensar. Simplesmente não pensar.
O sol espreitou-me por debaixo do guarda-sol e ofuscou-me durante uns segundos. Movimentei ligeiramente a cabeça para voltar a alancar a sombra e sorri-te. Será que viste o meu sorriso? Estavas tão longe. Mas penso que sim, pois a tua expressão facial mudou ligeiramente. Mas não foi o suficiente para voltares para junto de mim.
Com o tempo, o sol baixou-se para beijar suavemente o mar como faz todos os dias. Eu desejei um acto de carinho igual para mim. Sentia-me tão sozinha. Tu também. O teu olhar distante irradiava uma tristeza perdida mas profundamente cravada em ti. Queria abraçar-te. E teria o feito se estivesses mais próxima. As lágrimas começaram a acumular-se em mim. Respiramos fundo ao mesmo tempo, partilhando a mesma dor mas que provém de locais muito diferentes. Finalmente a luz apagou-se e tu, sem sequer pensar duas vezes, pegaste nos óculos de sol, nas chaves e na carteira. Levantaste-te para ir embora. Não sabia dizer com toda a certeza se estavas chateada comigo ou apenas triste. Mas a nossa amizade, que não era assim tão antiga, era forte e havia de ultrapassar tudo isto. Pelo menos era o que esperava. Restou-me ir também embora.
Caminhei pelo estrado de madeira colocado no areal durante horas. Parei numa das imensas praias que ele percorre sem dar grande atenção ao local onde me encontrava. O meu coração estava muito pesado com todas as palavras que haviam ficado por dizer. Sentei-me junto ao mar esquecendo as horas e as responsabilidades, tentando lembrar-me de como fui ali parar. Tentei ligar para tanta gente, pessoas que sem dúvida considero amigos, alguém em quem confiasse para me dar uma mão que me ajudasse a levantar, ou um ombro onde pudesse desabafar. Ninguém estava disponível. O momento não foi o melhor, pensei. Lá estava o meu tão característico optimismo. Talvez até não fosse optimismo, talvez fosse a minha maneira de perdoar as pessoas façam elas o que fizerem. Mas eu gosto da ideia de que ninguém magoa de propósito, sempre gostei. E, portanto, gosto de defender a ideia de que quando alguém nos faz algo menos bom é porque teve um motivo de força maior ou por pura inadvertência. Algo que podemos tentar compreender, e que não é extremamente rebuscado. E, assim sendo, pus-me no lugar no lugar das pessoas a quem liguei e com quem falei. Atribui as culpas (algo que, como qualquer ser humano tenho necessidade de fazer) às faltas de rede, às faltas de bateria, às ausências de som ou vibração, à hora do jantar, à falta de saldo para retribuir a chamada ou enviar mensagem. Mas mesmo assim custou não ouvir sequer a voz de um deles. Senti o arrepio interno acumular-se e a querer subir, lubrificando os olhos. Mas recusei-me a chorar. O frio da noite pousou em mim e o arrepio passou a externo. Levantei-me e iniciei o longo caminho para casa. Tinha muito para andar, mas maior que essa distância era a distância entre o meu corpo e o meu pensamento. Estava tão longe que mal o conseguia ouvir através do rebentar das ondas e do som electrizante das estrelas.
Uma vez disseram-me que o melhor é não revisitar os locais onde já fomos felizes, que essas memórias devem ser guardadas numa caixinha muito especial para onde possamos olhar e, de longe a longe, recordar. Nesse dia percebi porquê. É que em comparação com as boas recordações que nos ficam na memória e no coração nada é suficientemente bom. Seja pelo tempo que passa e dilui as coisas más, seja pela fantasia que embeleza e enturva a memória, a verdade é que preenchemos lacunas com o que mais nos agrada. Então, uma boa recordação torna-se maravilhosa e especial. Passa a ter o seu próprio toque de poesia. E eu senti isso nas ruas, carregadas de memórias nas suas calçadas; nos bancos de jardins, onde perdi tantas horas de esperas; nos candeeiros de rua, que foram as únicas testemunhas de tantos momentos que me arrancaram sorrisos perdidos no tempo. Mas nesse dia os sorrisos saíram salgados. Nesse dia nada nem ninguém testemunhou a minha presença, os meus pensamentos, sonhos ou desejos. Foi então que percebi que estava em branco. Não conseguia pensar em nada. Só era capaz de recordar pedaços rasgados das páginas da minha memória. Sentei-me no passeio, fechei os olhos e respirei fundo. Senti o calafrio trazido pelo medo. Recordei passo a passo o que senti nos últimos dias, recordei todos os segundos do tempo que demorei a perceber que dai em diante estaria sozinha. Só com a realização da coragem que precisei de ter, tanto antes como agora ao reviver tudo outra vez, é que percebi realmente. E sorri. Mas a nostalgia e a saudade do passado e das pessoas que dele fizeram parte mataram o sorriso que havia surgido momentos antes. Agora não havia nada a fazer, a não seu recomeçar, do zero. Não sabia bem de que forma o iria fazer mas haveria de conseguir.
Apesar de tudo sentia-me forte, capaz de enfrentar o que quer que me aparecesse à frente. Nada haveria de ser capaz de me parar, nem mesmo a morte. O fim da minha vida não tinha sido mais que o abrir de uma ova porta, uma para o exterior, pensei eu. E então surgiu a luz. A famosa luz de que tanto ouvimos falar. Tive medo mas preparei-me para um recomeço, cheio de coisas novas, de dúvidas e certezas, de alegrias e tristezas, de coragem e de medo. Mas algo de estranho aconteceu. Senti outra parte de mim agarrar-me com toda a sua força, a puxar-me para uma cama de hospital. Parte de mim sabia que este capítulo ainda não tinha acabado, por muito turbulento que fosse. A saída estava tão próxima. Estava a uns passos de distancia do inicio de uma nova história, de uma nova vida mas mesmo sabendo disso largar o passado era abdicar de muito. Nem sabia o quanto estava agarrada a este lado ate ver que mesmo com os pulsos a sangrar e os olhos negros da tristeza e inchados das lágrimas não largava a reste-a de esperança de um dia um pouco mais brilhante no amanha. A cada passo em frente que dava pesava na alma a duvida do "e se". A cada vez que me impedia de olhar para trás ouvia mais uma voz familiar, carregada de carinho e força e apoio e determinação... e tu chamavas por mim. Tu melhor do que ninguém sabias o quanto queria ir embora e quanto custava abandonar todo o passado. E dizias para ir para ser feliz. Mas o facto de me falares com esse tremor na voz, de deixares cair essas lágrimas mais salgadas que qualquer mar, de me gritares com toda a força da tua alma pelo meu nome; qualquer uma dessas coisas puxava por um último olhar, um último adeus.
Choramos ao mesmo ritmo como tantas vezes antes aconteceu. A nossa alma encheu-se de uma tristeza que eu tanto queria deixar para trás. Mas a esperança num amanhã um pouco mais sorridente crescia. Recusei-me a olhar para trás. Pedi-te desculpa. E fui gritando o teu nome bem alto porque a última coisa que queria era esquecer-te, mas o início esperava por mim. Era uma nova vida. Era aquilo pelo quem ansiava há tanto tempo. Avancei pela luz adentro até deixar de me ver. O branco ofuscava e ardia-me nos olhos. Fechei-os e continuei em frente. Dei um passo após o outro sempre com medo de ter decidido mal, mas com a certeza de uma convicção inexplicável. Quis lembrar-me do teu rosto e não consegui. Quis lembrar-me do teu nome e não fui capaz. Quis lembrar-me de quem era mas já não sabia se era ainda eu.
Tive a certeza de que caminhava na direcção errada mas agora tudo era branco, tão branco que me deixou perdida. Olhei em volta e perdi o rumo. Quis andar em frente, assumir a responsabilidade das minhas decisões mas não soube em que direcção andar. Voltei a fechar os olhos. E sorri. Sorri porque te vi sorrir para mim. E então senti-me cair. O meu coração disparou, a minha respiração tornou-se ofegante, o medo invadiu-me. Até que cheguei ao fim da queda. Abri os olhos e lá estavas tu. E tudo tornou-se mais claro, mesmo depois de ter desaparecido o branco. Eu não tinha escolha. Tinha de viver esta vida até ao fim, e este não era determinado por mim. Por muita dor que tivesse passado ou que estivesse ainda para vir eu não podia simplesmente começar um novo capitulo sem terminar o velho.
Por um lado, soube que não havia como fugir e isso assustou-me, mas por outro, sabia que ainda não tinha chegado a minha hora e isso deixou-me em paz. A força para continuar só veio quando percebi que se estava preparada para começar tudo de novo, com tantas incertezas, porque é que não poderia ser capaz de continuar aquilo que estava já meio conhecido. Mais cedo ou mais tarde coisas más hão de acontecer. Mas elas terão um fim. E pouco depois terão necessariamente de surgir coisas boas. É tudo uma questão de tempo. E se sentir que estou sem fôlego e que não vou conseguir chegar ao fim, então sento-me e espero. E se doer muito, paro para chorar. E se for muito bom, paro para guardar o momento ao pormenor. E sorrio. Mas não desisto. Posso esconder-me de alguns problemas e até evitar outros mas não desisto, não fujo, não morro mais.
O sol espreitou-me por debaixo do guarda-sol e ofuscou-me durante uns segundos. Movimentei ligeiramente a cabeça para voltar a alancar a sombra e sorri-te. Será que viste o meu sorriso? Estavas tão longe. Mas penso que sim, pois a tua expressão facial mudou ligeiramente. Mas não foi o suficiente para voltares para junto de mim.
Com o tempo, o sol baixou-se para beijar suavemente o mar como faz todos os dias. Eu desejei um acto de carinho igual para mim. Sentia-me tão sozinha. Tu também. O teu olhar distante irradiava uma tristeza perdida mas profundamente cravada em ti. Queria abraçar-te. E teria o feito se estivesses mais próxima. As lágrimas começaram a acumular-se em mim. Respiramos fundo ao mesmo tempo, partilhando a mesma dor mas que provém de locais muito diferentes. Finalmente a luz apagou-se e tu, sem sequer pensar duas vezes, pegaste nos óculos de sol, nas chaves e na carteira. Levantaste-te para ir embora. Não sabia dizer com toda a certeza se estavas chateada comigo ou apenas triste. Mas a nossa amizade, que não era assim tão antiga, era forte e havia de ultrapassar tudo isto. Pelo menos era o que esperava. Restou-me ir também embora.
Caminhei pelo estrado de madeira colocado no areal durante horas. Parei numa das imensas praias que ele percorre sem dar grande atenção ao local onde me encontrava. O meu coração estava muito pesado com todas as palavras que haviam ficado por dizer. Sentei-me junto ao mar esquecendo as horas e as responsabilidades, tentando lembrar-me de como fui ali parar. Tentei ligar para tanta gente, pessoas que sem dúvida considero amigos, alguém em quem confiasse para me dar uma mão que me ajudasse a levantar, ou um ombro onde pudesse desabafar. Ninguém estava disponível. O momento não foi o melhor, pensei. Lá estava o meu tão característico optimismo. Talvez até não fosse optimismo, talvez fosse a minha maneira de perdoar as pessoas façam elas o que fizerem. Mas eu gosto da ideia de que ninguém magoa de propósito, sempre gostei. E, portanto, gosto de defender a ideia de que quando alguém nos faz algo menos bom é porque teve um motivo de força maior ou por pura inadvertência. Algo que podemos tentar compreender, e que não é extremamente rebuscado. E, assim sendo, pus-me no lugar no lugar das pessoas a quem liguei e com quem falei. Atribui as culpas (algo que, como qualquer ser humano tenho necessidade de fazer) às faltas de rede, às faltas de bateria, às ausências de som ou vibração, à hora do jantar, à falta de saldo para retribuir a chamada ou enviar mensagem. Mas mesmo assim custou não ouvir sequer a voz de um deles. Senti o arrepio interno acumular-se e a querer subir, lubrificando os olhos. Mas recusei-me a chorar. O frio da noite pousou em mim e o arrepio passou a externo. Levantei-me e iniciei o longo caminho para casa. Tinha muito para andar, mas maior que essa distância era a distância entre o meu corpo e o meu pensamento. Estava tão longe que mal o conseguia ouvir através do rebentar das ondas e do som electrizante das estrelas.
Uma vez disseram-me que o melhor é não revisitar os locais onde já fomos felizes, que essas memórias devem ser guardadas numa caixinha muito especial para onde possamos olhar e, de longe a longe, recordar. Nesse dia percebi porquê. É que em comparação com as boas recordações que nos ficam na memória e no coração nada é suficientemente bom. Seja pelo tempo que passa e dilui as coisas más, seja pela fantasia que embeleza e enturva a memória, a verdade é que preenchemos lacunas com o que mais nos agrada. Então, uma boa recordação torna-se maravilhosa e especial. Passa a ter o seu próprio toque de poesia. E eu senti isso nas ruas, carregadas de memórias nas suas calçadas; nos bancos de jardins, onde perdi tantas horas de esperas; nos candeeiros de rua, que foram as únicas testemunhas de tantos momentos que me arrancaram sorrisos perdidos no tempo. Mas nesse dia os sorrisos saíram salgados. Nesse dia nada nem ninguém testemunhou a minha presença, os meus pensamentos, sonhos ou desejos. Foi então que percebi que estava em branco. Não conseguia pensar em nada. Só era capaz de recordar pedaços rasgados das páginas da minha memória. Sentei-me no passeio, fechei os olhos e respirei fundo. Senti o calafrio trazido pelo medo. Recordei passo a passo o que senti nos últimos dias, recordei todos os segundos do tempo que demorei a perceber que dai em diante estaria sozinha. Só com a realização da coragem que precisei de ter, tanto antes como agora ao reviver tudo outra vez, é que percebi realmente. E sorri. Mas a nostalgia e a saudade do passado e das pessoas que dele fizeram parte mataram o sorriso que havia surgido momentos antes. Agora não havia nada a fazer, a não seu recomeçar, do zero. Não sabia bem de que forma o iria fazer mas haveria de conseguir.
Apesar de tudo sentia-me forte, capaz de enfrentar o que quer que me aparecesse à frente. Nada haveria de ser capaz de me parar, nem mesmo a morte. O fim da minha vida não tinha sido mais que o abrir de uma ova porta, uma para o exterior, pensei eu. E então surgiu a luz. A famosa luz de que tanto ouvimos falar. Tive medo mas preparei-me para um recomeço, cheio de coisas novas, de dúvidas e certezas, de alegrias e tristezas, de coragem e de medo. Mas algo de estranho aconteceu. Senti outra parte de mim agarrar-me com toda a sua força, a puxar-me para uma cama de hospital. Parte de mim sabia que este capítulo ainda não tinha acabado, por muito turbulento que fosse. A saída estava tão próxima. Estava a uns passos de distancia do inicio de uma nova história, de uma nova vida mas mesmo sabendo disso largar o passado era abdicar de muito. Nem sabia o quanto estava agarrada a este lado ate ver que mesmo com os pulsos a sangrar e os olhos negros da tristeza e inchados das lágrimas não largava a reste-a de esperança de um dia um pouco mais brilhante no amanha. A cada passo em frente que dava pesava na alma a duvida do "e se". A cada vez que me impedia de olhar para trás ouvia mais uma voz familiar, carregada de carinho e força e apoio e determinação... e tu chamavas por mim. Tu melhor do que ninguém sabias o quanto queria ir embora e quanto custava abandonar todo o passado. E dizias para ir para ser feliz. Mas o facto de me falares com esse tremor na voz, de deixares cair essas lágrimas mais salgadas que qualquer mar, de me gritares com toda a força da tua alma pelo meu nome; qualquer uma dessas coisas puxava por um último olhar, um último adeus.
Choramos ao mesmo ritmo como tantas vezes antes aconteceu. A nossa alma encheu-se de uma tristeza que eu tanto queria deixar para trás. Mas a esperança num amanhã um pouco mais sorridente crescia. Recusei-me a olhar para trás. Pedi-te desculpa. E fui gritando o teu nome bem alto porque a última coisa que queria era esquecer-te, mas o início esperava por mim. Era uma nova vida. Era aquilo pelo quem ansiava há tanto tempo. Avancei pela luz adentro até deixar de me ver. O branco ofuscava e ardia-me nos olhos. Fechei-os e continuei em frente. Dei um passo após o outro sempre com medo de ter decidido mal, mas com a certeza de uma convicção inexplicável. Quis lembrar-me do teu rosto e não consegui. Quis lembrar-me do teu nome e não fui capaz. Quis lembrar-me de quem era mas já não sabia se era ainda eu.
Tive a certeza de que caminhava na direcção errada mas agora tudo era branco, tão branco que me deixou perdida. Olhei em volta e perdi o rumo. Quis andar em frente, assumir a responsabilidade das minhas decisões mas não soube em que direcção andar. Voltei a fechar os olhos. E sorri. Sorri porque te vi sorrir para mim. E então senti-me cair. O meu coração disparou, a minha respiração tornou-se ofegante, o medo invadiu-me. Até que cheguei ao fim da queda. Abri os olhos e lá estavas tu. E tudo tornou-se mais claro, mesmo depois de ter desaparecido o branco. Eu não tinha escolha. Tinha de viver esta vida até ao fim, e este não era determinado por mim. Por muita dor que tivesse passado ou que estivesse ainda para vir eu não podia simplesmente começar um novo capitulo sem terminar o velho.
Por um lado, soube que não havia como fugir e isso assustou-me, mas por outro, sabia que ainda não tinha chegado a minha hora e isso deixou-me em paz. A força para continuar só veio quando percebi que se estava preparada para começar tudo de novo, com tantas incertezas, porque é que não poderia ser capaz de continuar aquilo que estava já meio conhecido. Mais cedo ou mais tarde coisas más hão de acontecer. Mas elas terão um fim. E pouco depois terão necessariamente de surgir coisas boas. É tudo uma questão de tempo. E se sentir que estou sem fôlego e que não vou conseguir chegar ao fim, então sento-me e espero. E se doer muito, paro para chorar. E se for muito bom, paro para guardar o momento ao pormenor. E sorrio. Mas não desisto. Posso esconder-me de alguns problemas e até evitar outros mas não desisto, não fujo, não morro mais.
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