Eu não sei onde começam as palavras que não dizemos. Deixamos o momento morrer no silêncio. Fechamos os olhos e erguemos o muro que nos protege. Fechamos os olhos para não lembrar que a noite se aproxima. Não queremos admitir o adeus que nos irá separar. Escondemo-nos dele na escuridão que se aproxima sorrateiramente. Mas ao separarmo-nos fica no banco de jardim a saudade, a tristeza, a falta. No céu surgem as estrelas. Só elas sabem que choro. Só elas sabem o quanto me dói a incerteza do amanhã. Só elas conhecem a marca deixada em mim pelo passado negro como esta noite ausente de luar. Ao fechar os olhos vejo-te a sorrires para mim e sorrio também. Encho os pulmões de esperança numa certeza que não existe. Concentro-me numa felicidade virtual que não é bem minha. E na solidão da alma, no silêncio da noite vouço mil e uma vozes. Ouço-me em milhares e milhares de pensamentos. Ouço-me em milhares e milhares de convicções auto-impostas. Ouço tudo o que quero ouvir, misturado com tudo o que não quero. São mil e uma vozes, mas são todas minhas. São mil e um eus dentro de mim a demarcar a sua posição rela
tiva. Quero libertar o grito que as cala mas não sou capaz. Também a minha voz está presa cá dentro. Aos poucos abro os olhos e habituo-os à luz da lua que, momentaneamente, me quer cegar. Vermelhos da tristeza, negros do resto da maquiagem, verdes e castanhos do corpo e alma, é assim que os meu olhos se mostram de novo ao mundo. Aos poucos eles vão acordando para uma nova realidade criada a partir da velha. Aos poucos as vozes vão cantando em uníssono. Aos pouco vou acordando de um pesadelo. Vou saindo do meu buraco onde não sou nada, onde tudo em mim é incompleto sem os outros. Vou saindo para a luz que cobre esta noite sombria onde existo sem ti. Às vezes pergunto-me se existo apenas no escuro da noite onde me pareço esconder quando me sinto só. Às vezes acredito que sim... Mas quando me cobre a luz branca e pura de uma certeza inabalável sei que não. Sei que é por mim que te apaixonarás quando te souber dizer amor. Sei que sob o meu sorriso e simpatia ficarás hipnotizado horas a fim. Sei que sou deusa da noite e do escuro, da lua e das estrelas, de ti. Então, face a face, olhando-te nos olhos, perco as certezas. Contigo perco as palavras para tudo e nada. Só sinto aquele fio de seda prateado que nos une e nos puxa um para o outro. As vozes voltam para dentro de mim, trazendo consigo as peguntas, as duvidas, as inquietações. Fecho os olhos para não te ver mais. Espero que toda a confusão desapareça. Fica o medo que a sensação boa do fio de seda prateado desapareça também. Mantenho os olhos fechados. Fico a ouvir as vozes. Sinto a tua respiração em mim. Sinto o calor e suor que emanam do teu corpo cansado do sexo que fazemos sem definições nem porquês. Sinto o teu coração bater chamando por mim, querendo mais do que aquilo que me pedes. Sinto-te em mim. Tento fazer com que isso preencha os meus vazios. Sinto-te como senti tantos tantas outras vezes. Mas tu também me sentes e envolvida no teu abraço deixo-me levar para onde não sei querer ir. Tu sentes mais que o meu corpo embrulhado no teu. Tu abres os teus olhos e, mesmo sem me compreenderes (bicho estranho de outro sexo e mundo), vês-me. Ficamos abraçados no escuro da noite, sabendo que o prazo de validade já terminou. Ficamos presos um ao outro quando tudo o que resta são as estrelas como companhia (só elas nos sabem ver juntos). Eu fecho os olhos. Tu fechas ou teus. O ar enche-se de vozes. As minhas e as tuas misturam-se no silêncio dos lábios molhados dos beijos carregados de desejo. Olho-te nos olhos e questiono-te sem questões. Elas já nos bombardeiam através das vozes. Mas tu respondes.“Não fiques confusa, pois todas essas vozes serão apenas os teus desejos a acordarem para uma noite sombria coberta pela mais pura luz!” Sorrio-te porque não te compreendo mas (re)conheço-te.
You have entered my soul... keep in mind that this is me at my truest form.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 23 de outubro de 2007
grão de areia
Um grão de areia.
Apenas uma grão de areia.
Hoje é o que sou.
Só e apenas um grão de areia.
Um grão de areia na tua praia.
Um entre milhares de grãos de areia.
Não me sinto especial.
Não me sinto distinta.
Estou só.
Apenas só.
Só um grão de areia.
Mas estou aqui.
Estou aqui, na tua praia.
Estou aqui à espera do teu toque molhado.
Estou à espera que me cubras com o teu sal.
E tento.
Tento brilhar ao sol.
Tento fazer com que me vejas.
Tento destacar-me dos demais grãos de areia.
Mas é só isso que sou.
Um grão de areia.
Um entre muitos grãos de areia.
Um entre os milhares que estão na tua praia.
Por muito que repares em mim não deixo de ser apenas um grão de areia.
Só um grão de areia.
Um dos grãos de areia nos quais reparas.
Mas então a tua maré sobe.
Então o teu toque torna-se mais forte.
Então o teu desejo aumenta.
Envolves-me nas tuas águas.
Fazes-me rebolar como se fosse única.
Levas-me para dentro de ti.
Arrastas-me para o fundo.
Conheço a tua essência.
Dissolvo-me em tudo o que tu és.
Transformo-me em água e sal.
Em mar e sol.
Em praia.
Agora tenho o meu areal.
Nele estendem-se milhares de grãos de areia.
Milhares de grãos de areia só meus.
Que querem a minha atenção.
Que querem fazer parte de mim.
Entre eles estás tu.
Apenas um grão de areia.
Um grão de areia entre tantos outros.
Um grão de areia especial.
Mesmo assim, um grão de areia.
Um simples grão de areia.
À vez somos praia e grãos de areia.
À vez vamos-nos escolhendo.
Nunca assumindo uma certeza.
Nunca dizendo que sim.
Nunca dizendo que não.
Sem certezas como a vida.
Apenas grãos de areia numa vastidão de hipóteses.
Apenas uma grão de areia.
Hoje é o que sou.
Só e apenas um grão de areia.
Um grão de areia na tua praia.
Um entre milhares de grãos de areia.
Não me sinto especial.
Não me sinto distinta.
Estou só.
Apenas só.
Só um grão de areia.
Mas estou aqui.
Estou aqui, na tua praia.
Estou aqui à espera do teu toque molhado.
Estou à espera que me cubras com o teu sal.
E tento.
Tento brilhar ao sol.
Tento fazer com que me vejas.
Tento destacar-me dos demais grãos de areia.
Mas é só isso que sou.
Um grão de areia.
Um entre muitos grãos de areia.
Um entre os milhares que estão na tua praia.
Por muito que repares em mim não deixo de ser apenas um grão de areia.
Só um grão de areia.
Um dos grãos de areia nos quais reparas.
Mas então a tua maré sobe.
Então o teu toque torna-se mais forte.
Então o teu desejo aumenta.
Envolves-me nas tuas águas.
Fazes-me rebolar como se fosse única.
Levas-me para dentro de ti.
Arrastas-me para o fundo.
Conheço a tua essência.
Dissolvo-me em tudo o que tu és.
Transformo-me em água e sal.
Em mar e sol.
Em praia.
Agora tenho o meu areal.
Nele estendem-se milhares de grãos de areia.
Milhares de grãos de areia só meus.
Que querem a minha atenção.
Que querem fazer parte de mim.
Entre eles estás tu.
Apenas um grão de areia.
Um grão de areia entre tantos outros.
Um grão de areia especial.
Mesmo assim, um grão de areia.
Um simples grão de areia.
À vez somos praia e grãos de areia.
À vez vamos-nos escolhendo.
Nunca assumindo uma certeza.
Nunca dizendo que sim.
Nunca dizendo que não.
Sem certezas como a vida.
Apenas grãos de areia numa vastidão de hipóteses.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Amut Noite
Hoje escurece mais cedo. Hoje a noite teve mais saudades e não aguentou a espera.
Vem a mim noite linda que tanto me amas e me queres. Só tu paras para leres os sonhos que escrevo nas tuas estrelas. Só tu ficas ofuscada quando provocas em mim aquele sorriso igual a mil que ilumina o meu lado mais negro. Só tu...
Quero ficar contigo. Quero ficar com esse sorriso. Quero sonhar mais e mais, e subir aos céus, e ir para além de tudo, e ser feliz. Tu fazes-me feliz. Tu fazes-me bem. Tu tratas de mim.
Mas a lua ofusca-me com o seu luar. Ela observa-me lá do alto. Ela sabe. Ela sabe... Eu não escondo. A lágrima cai. A tristeza instala-se pois está na tua hora. Minuto a minuto aproxima-se a hora do amanhecer, a hora de te ires embora, a hora de voltar para a minha solidão...
Hoje custa-te um pouco mais deixar que amanheça pois não me queres deixar assim... eu sei. Mas o que tem de ser será sempre. E a promessa de voltares fica apenas suspensa no ar. VOLTA! VOLTA JÁ... mas o grito não se houve na névoa da madrugada que não perde a sua arrogância perante o desespero dos amantes da noite.
volta... volta para mim... Cobre-me com o teu manto, e ama-me agora e para sempre... agora e sempre... como sempre fizeste.
Noite. És mágica, és especial, és tudo aquilo que eu nunca fui, és eu sem o ser. Noite. Oh noite... Volta... volta já antes do sol, antes da luz...
E a chuva cai. A tua tristeza, noite, chega a mim sob a forma de gota... Não é o inverno, é a tua revolta. E os dias diminuem porque o que nos une é muito mais que as leis mundanas. E tu cresces à medida que o nosso amor se expande.
Sim noite, volta para mim. Abraça-me com o teu manto negro. Juntas escreveremos nas tuas estrelas e ditaremos o destino.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Boa Noite
Lá dentro somos o que formos. Os nossos corpos movem-se ao som da música ambiente, as palavras gritadas num sussurro deixam os pensamentos a meio, os olhares cruzam-se com as luzes que nos focam.
O tempo passa e continuamos amigos, ainda que as cores se tenham intensificado.
A noite acaba (pelo menos para nós) mas não termina aí.
Fica muito por dizer,
Fica muito por fazer,
Fica muito por acontecer…
Viramos as costas e voltamos cada um para o seu mundo (apenas com um adeus e um sorriso). Mas a verdade é que ainda passeamos por aí partilhando histórias, passados, existências.
Esquecendo que somos apenas amigos partilhamos algo mais mantendo (in)conscientemente a noção que não estamos preparados, que não sabemos o que queremos, que não depende de nós o desejo de uma noite interminável…
Já na cama, ao apagar a luz do pequeno candeeiro que mal ilumina o quarto, te digo: Boa noite.
(porque foi uma boa noite, não foi?!)
domingo, 7 de outubro de 2007
Quero voltar a ser flor,
Quero voltar a ser princesa.
Deixa-me aninhar num banco,
Debaixo de uma árvore,
Olhar o correr do rio para o mar.
As memórias do que é bom invadem-me.
Memórias do sol que me seca as lágrimas,
Memórias da brisa que me sussurra ao ouvido,
Memórias do passado que me trouxe até aqui.
Encontra-te comigo junto à torre que vigia o crescer das heras.
Durante o pôr-do-sol bebemos chá de caramelo e baunilha
Envolto em aromas de saudades e esperanças.
No teu abraço encontro a minha calma,
Nos teus lábios nasce o meu sorriso,
Na tua passividade irá crescer a minha irritação
(porque até um mar de rosas tem espinhos).
E quando a noite cair e as estrelas ficarem a olhar por nós,
Cobrimo-nos de sonhos e deixamo-nos ir…
Vamos para onde o vento nos levar,
Vamos para onde a maré nos puxar,
Vamos para onde tiver de ser.
Amanhã será um novo dia.
Amanhã terei um novo olhar.
Amanhã continuarei a querer o que quero hoje:
Continuarei a querer ir para os jardins,
Continuarei a querer ser flor,
Continuarei a querer ser princesa…
Amanhã continuarei a querer ser assim:
Continuarei a querer ser carinhosa,
Continuarei a querer ser carente,
Continuarei a querer ser acarinhada.
Se não me quiseres assim, não me queiras.
Deixa-me só no banco de jardim,
Debaixo da árvore,
Olhando o correr do rio para o mar.
Lá fico em paz.
Lá fico em uníssono comigo,
Lá fico em uníssono com o meu coração,
Lá fico em uníssono com a minha alma.
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