segunda-feira, 7 de abril de 2008

O 1º dia de praia


Por entre sorrisos dizemos silêncios que o mar leva com a maré. Fechamos os olhos e somos quem somos sem definições ou limitações de tempo: eu sou o mar que te arrepia a pele calejada das desiluões e tu és o sol que me aquece o corpo dorido das tristezas. Agora somos praia e envolvemo-nos em vontades e desejos que estão muito para além do carnal.

O teu cheiro prende-me o pensamento e torno-me refém da sensação do momento. Não sei mais como por um pé à frente do outro pois nós somos aqui e agora, e o ali e sei lá quando está fora do meu alcançe. Não sei como se dorme pois ainda me sinto num sonho onde só o meu subconsciente comanda (tem de ser sonho, que mais podia explicar a perfeição do momento em que me aproximo de ti e ficamos assim colados num sorriso que não é nem meu nem teu mas nosso). Não sei como se come pois sinto-me cheia de vida e alegria (e muitas outras coisas que sou incapaz de descrever e que me preenchem todos os poros enclausurando dentro de mim o calor de verão).

Mas não faz mal não saber mais o quotidiano, o banal quando o sorriso que me deste me sai do peito e ilumina o caminho negro dos dias de chuva que se avizinham devido à lua nova. E posso não contar histórias que enquadrem estes momentos vividos envoltos em sorrisos mas isso é porque a memória é inexistente: quando fecho os olhos não nos vejo deitados em toalhas num areal frente ao mar, apenas espelho o sorriso reflexo no céu azul que nos viu apaixonados em segundos que nós não vimos passar.
Quero que todos os dias sejam dias de praia. Quero sentir o toque do sol todos os minutos que não passares ao meu lado. Quero o sabor do mar nos meus labios quando não estiveres aqui para me beijar. Quero deitar-me sobre a areia e nela envolver-me de todas as vezes que não me puderes envolver no teu abraço de desejo e protecção.

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