Por entre sorrisos dizemos silêncios que o mar leva com a maré. Fechamos os olhos e somos quem somos sem definições ou limitações de tempo: eu sou o mar que te arrepia a pele calejada das desiluões e tu és o sol que me aquece o corpo dorido das tristezas. Agora somos praia e envolvemo-nos em vontades e desejos que estão muito para além do carnal.
O teu cheiro prende-me o pensamento e torno-me refém da sensação do momento. Não sei mais como por um pé à frente do outro pois nós somos aqui e agora, e o ali e sei lá quando está fora do meu alcançe. Não sei como se dorme pois ainda me sinto num sonho onde só o meu subconsciente comanda (tem de ser sonho, que mais podia explicar a perfeição do momento em que me aproximo de ti e ficamos assim colados num sorriso que não é nem meu nem teu mas nosso). Não sei como se come pois sinto-me cheia de vida e alegria (e muitas outras coisas que sou incapaz de descrever e que me preenchem todos os poros enclausurando dentro de mim o calor de verão).
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