sexta-feira, 17 de outubro de 2008

as melhoras

Não sabia que estavas de cama, se soubesse tinha coordenado a roupa interior para que não parecesse o arco-iris. Não sabia que estavas doente, se soubesse talvez não tivesse sido tão maternal... talvez tivesse sido mais. Não sabia que era o aniversário do teu irmão, se soubesse podia ter tido a amabilidade de te ligar a dar-lhe os parabéns. Mas eu nem sempre sei o que fazer e o que faço é sempre de coração. Uso todo o meu arco iris, todo o meu carinho (maternal ou não), toda a minha amabilidade em conjunto com o sorriso que me define para te dizer "olá, espero que melhores AMIGO". Na verdade sinto que a chamada telefónica não correu assim tão bem como isso, o meu dom da palavra tem vergonha da oralidade e só se manifesta por escrito e por isso te escrevo hoje. Não sei até que ponto me irás ler as palavras e apreciá-las porque na verdade ainda não nos conhecemos. O destino ainda não o quis e as desculpas ainda não estão gastas entre nós. Eu ainda não sei onde te encontrar e tu ainda não te aproximas porque existem motivos. Ainda não aconteceu nem existem planos para que aconteça. Mas acredita quando te digo que quero ser tua amiga mesmo que ambos conheçamos o mundo e as suas crueis e tipicas desilusões, acredita porque é verdade. :)
Por hoje é tudo da minha parte. Fico à espera de algo desse teu lado negro que me envolva e me leve para onde a escrita é fácil e vem naturalmente. Até lá, as melhoras.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

*******************

Hoje, algures durante este dia banal, adormeci. Adormecida, tornei-me bela e mesmo sem vestido era uma princesa como a do meu espelho. A chuva caiu mas o ar que a envolvia era morno e doce tentando de alguma forma compensar a humidade. O trabalho não custou tanto talvez por me ter distanciado e tentado não estar lá, porque lá eu não sou feliz, lá falta-me o calor e a compreensão... são ar condicionados para o corpo e para a alma. Mas tive finalmente tempo de pensar em nada.
Então entrei em sonhos de cor e calor. Com a mão dava praia e conforto, com o sorriso animava, com o olhar reconhecia que o mundo não é perfeito e que isso me torna perfeita para ele. Fechei os olhos cor de mel, humedeci os lábios de cereja e passei os dedos pela falta dos caracois dos cabelos outrora longos. O vestido preto e os sapatos de salto alto faziam parte de mim como se fossem uma pele por mim vestida para encarnar a minha personagem de lobo num conto que não de fadas. As minhas viagens mágicas nem sempre as faço do parapeito da minha janela, com a alma pousada na ponta inferior da lua, totalmente exposta à luz das estrelas; por vezes deixo-me ir ainda com os pés bem assentes no areal da praia. E, apesar de não saber onde adormeci, foi aí que eu acordei...
Está na hora de eu voltar para casa, para a cama, para os sonhos tradicionais, para a vida. Mas as viagens não se esquecem, guardam-se em caixinhas especiais, forradas a veludo, com todas as outras coisas boas que nos estampam sorrisos de ouro e as más que nos levam a derramar lágrimas de prata. :)

sábado, 11 de outubro de 2008

a waltz on being lost

Debaixo do chuveiro fingi não chorar. As lagrimas foram diluídas pela água e o soluçar abafado pelo seu som ao bater no meu corpo e na banheira. A dor no peito mascarei-a de sintoma da constipação que me amarra a esta cama. Quero fugir disto que me magoa tanto mas não sou capaz... há tanta coisa que me ama aqui mas também é aqui que mais me magoam. E então surge ela no meu pensamento. Negra na sua sugestão aliciante ela fascina-me com a sua simplicidade. Mas sou ingénua demais se acredito que alguma coisa (na vida ou na morte) será alguma vez simplesmente simples. E na confusão do que eu sinto por mim e do que o meu espelho me faz sentir quando o leio perco-me e venho para estas paginas minhas vomitar o sangue que já não me quer correr nas veias. Se conseguir chegar à janela sei que a noite me cobrirá e que as estrelas vão sarar as feridas por onde a alma derrama a sua essência. Mas não chego à janela. A cama faz de mim prisioneira da minha falta de força de vontade e engole-me inteira, de uma só vez para que a dor seja minima. Até ela gosta de mim e demonstra compaixão quando a núvem negra me turva a visão e me confunde.
Nunca pensamos o quão facil é perdermo-nos nos caminhos que tão bem conhecemos... e o labirindo que é o meu mundo parecia estar gravado nas linhas que definem a palma da minha mão. Pensei que estava habituada a estar perdida nele mas no saber que estava perdida sabia onde estava, percebes? (o silencio... quem cala consente) Na verdade não sei se estou perdida no meu mundo ou se sei exactamente onde estou mas estou apenas num mundo que não o meu. E, como sempre, racionalizar sensações nunca foi o meu forte e por isso contento-me em estar perdida por aqui, onde quer que seja. Mal encontre um espelho e vou olhar para ele até a minha cara desaparecer e voltar a ver-te (tu, tal como uma bússola apontas sempre o meu norte) e tudo fará sentido outra vez e deixarei de andar à deriva e vou mergular no mar por mais gelado que esteja.

domingo, 5 de outubro de 2008

letting it all out

E a contagem decrescente continua. O fim do fim-de-semana aproxima-se com toda a sua rapidez porque a vida é assim, e as coisas boas acabam depressa. Com a luz a tornar-se cada vez mais ténue a semana de trabalho vai mostrando o seu sorriso sarcástico sabendo exactamente como me deitar abaixo. Sabias que a faculdade não acabou para mim? Acho que ainda não te tinha dito. A decepção subiu-me à garganta e calou-me a voz. Desilusão continua a ser uma das palavras que mais odeio, talvez por sentir que me espera em cada esquina. Mais um semestre pelo menos. Ainda não é desta que celebro o fim deste pesadelo. O grito de desespero foi apenas interno e não me acordou ainda. E então dou por mim aqui, presa no limbo. Ainda estudante [:)] daquela faculdade que me quer provar que eu não tenho o que é preciso [:(], mas já trabalhadora e a ganhar dinheiro [:)] num trabalho que me destrói o espírito todos os dias [:(]… Limbo da vida. As minhas páginas estão vazias como a minha alma. A vida quotidiana que me espera para o resto da minha vida vai corroendo os sonhos que tive. Sinto a esperança gritar de desespero e a alma chorar a minha morte. Racionalmente tudo faz sentido e “tem de ser” mas emocionalmente estou perdida num mundo que não fala nenhuma das línguas que eu consigo compreender. Tudo me acontece e eu não faço nada acontecer… passividade…
Talvez no fim do mês eu possa recomeçar do zero e refazer planos. Para já resta esperar que a tempestade passe.

Pensamento do dia

Pensamento do dia
A hug