quinta-feira, 16 de outubro de 2008

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Hoje, algures durante este dia banal, adormeci. Adormecida, tornei-me bela e mesmo sem vestido era uma princesa como a do meu espelho. A chuva caiu mas o ar que a envolvia era morno e doce tentando de alguma forma compensar a humidade. O trabalho não custou tanto talvez por me ter distanciado e tentado não estar lá, porque lá eu não sou feliz, lá falta-me o calor e a compreensão... são ar condicionados para o corpo e para a alma. Mas tive finalmente tempo de pensar em nada.
Então entrei em sonhos de cor e calor. Com a mão dava praia e conforto, com o sorriso animava, com o olhar reconhecia que o mundo não é perfeito e que isso me torna perfeita para ele. Fechei os olhos cor de mel, humedeci os lábios de cereja e passei os dedos pela falta dos caracois dos cabelos outrora longos. O vestido preto e os sapatos de salto alto faziam parte de mim como se fossem uma pele por mim vestida para encarnar a minha personagem de lobo num conto que não de fadas. As minhas viagens mágicas nem sempre as faço do parapeito da minha janela, com a alma pousada na ponta inferior da lua, totalmente exposta à luz das estrelas; por vezes deixo-me ir ainda com os pés bem assentes no areal da praia. E, apesar de não saber onde adormeci, foi aí que eu acordei...
Está na hora de eu voltar para casa, para a cama, para os sonhos tradicionais, para a vida. Mas as viagens não se esquecem, guardam-se em caixinhas especiais, forradas a veludo, com todas as outras coisas boas que nos estampam sorrisos de ouro e as más que nos levam a derramar lágrimas de prata. :)

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