domingo, 28 de dezembro de 2008

soniferos

Sonho com filmes, com amores que duram vidas e transbordam a capacidade do corpo e da alma. Sonho com algo que nunca tive e com o que não conto ter. Sem esperança de que o sonho acabe desejo deixar de sonhar e não desejar mais nada que não tenha. Cada desgosto me desalenta e me leva para lugares frios e escuros onde nem a lua me vê. Já não me sei deitar na relva e sorrir, nem soltar o cabelo e deixar-me aberta para aventuras, nem mergulhar na água gelada do mar como um brinde à coragem. Já não me sei. Mas então lembro-me. Já estive neste buraco antes, já estive bem lá no seu fundo, encolhida contra as suas paredes. Reconheço a sepultura que quase me abrigou para sempre. Mas será que só na morte existe um para sempre. Tudo o resto é tão volátil, tudo o resto se desfaz nas minhas mão quando tento agarrar como castelos de areia. Talvez seja desta vez que tenha coragem. Talvez não. Na dúvida digo adeus. Espero deixar saudades mesmo que as recordações não sejam muitas. Vivi já muito e aprendi bem mais do que pensei que viesse a aprender nesta vida, daqui para a frente são rotinas e rugas, são sacrificios e solidões. Sem querer magoar niguém, eu incluida, fecho os olhos pela ultima vez e sonho com o fim dos sonhos.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

caminhos

Já atravessei um deserto
e nadei um oceano
mas tenho ainda muito por percorrer
antes de chegar ao meu destino.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ela parte os silencios com um grito desesperado que vem do fundo da alma que julga ainda ter.
Ela quer mais do que merece porque os limites são demasiado desfocados para saber onde tudo termina.
Ela cala-se quando as palavras começam a doer-lhe na garganta e a arder nos olhos guardando os sons de choro para quando reencontrar a solidão.
E ela sabe que não vale a pena procurar pelo que pensa querer no destino dos comboios onde tantas vezes andou e sonhou.
Mas as certezas que tem não chegam para a aconchegarem nas noites mais frias e as dúvidas não caiem pelo caminho quando corre desenfreadamente para apanhar o autocarro.
Assim, sem saber para onde vai nem de onde veio, ela espera pelo amanhã sentada na poltrona de veludo vermelho que em nada combina com o resto da decoração da divisão.
Ela quer adormecer e não voltar a acordar neste filme a preto e branco sem sabor ou aroma mas todos os dias surge uma nova manhã.
Algures no tempo ela torna-se menos especial sem porquês, o espelho deixa de a reflectir, a luz desaparece-lhe dos olhos.
O mar não lhe lembra mais do passado nem lhe dá alento no futuro, e toda a praia a passa a tratar como uma estranha.
Ela definha com o gelo da manhã e com a indiferença da noite quando dentro do seu peito já nada é capaz de arder.


Ela cria em mim a vontade de desvanecer dentro de uma ampulheta que conte os segundos para tudo o que está para vir e que nunca mais chega. Invade-me o desejo de voltar a capturar imagens congeladas que encontro por tudo o lado e em lado nenhum. Eu e ela fundimo-nos no nevoeiro que cobre a cidade até deixarmos de ser e será aí que nascerá uma nova primavera cheia de possibilidades elevadas a um qualquer expoente. Nós seremos uma quando formos capazes de dormir e de voltar a sonhar em cor-de-rosa...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

di-vagar

aqui estou eu, outra vez
aqui estou eu, uma vez mais
ainda perdida no meio de não sei's e de não quero's mas estou
e se estou então existo e se existo sou
ainda não percebi bem o que sou mas sou
devo ser

e surge na minha cabeça um talvez sem sentido
e eu digo-o porque as palavras foram feitas para serem ditas e não pensadas
nos pensamentos não há necessidade de palavras mas imagens são melhores e mais completas
pena ter perdido todas as minhas fotos senão podia mostrar quem sou
cada foto minha mostrava uma das minhas facetas
cada foto espelhava aquilo que sou sem necessidade de palavras
mas sem fotos não me sou capaz de me mostrar
não existem palavras para mim

as sensações de mim não são as mais bonitas
sinto-me como um grão de areia num deserto de neve
muito perdida
com muito frio
destoando muito

mas já não há lugares seguros
já não há pausas no tempo
já não há sonhos de dias melhores

e saber que amanha é um novo dia não traz esperança, pelo contrário
e ao fundo do tunel há o ponto final que tanto evitei.

Pensamento do dia

Pensamento do dia
A hug