terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ela parte os silencios com um grito desesperado que vem do fundo da alma que julga ainda ter.
Ela quer mais do que merece porque os limites são demasiado desfocados para saber onde tudo termina.
Ela cala-se quando as palavras começam a doer-lhe na garganta e a arder nos olhos guardando os sons de choro para quando reencontrar a solidão.
E ela sabe que não vale a pena procurar pelo que pensa querer no destino dos comboios onde tantas vezes andou e sonhou.
Mas as certezas que tem não chegam para a aconchegarem nas noites mais frias e as dúvidas não caiem pelo caminho quando corre desenfreadamente para apanhar o autocarro.
Assim, sem saber para onde vai nem de onde veio, ela espera pelo amanhã sentada na poltrona de veludo vermelho que em nada combina com o resto da decoração da divisão.
Ela quer adormecer e não voltar a acordar neste filme a preto e branco sem sabor ou aroma mas todos os dias surge uma nova manhã.
Algures no tempo ela torna-se menos especial sem porquês, o espelho deixa de a reflectir, a luz desaparece-lhe dos olhos.
O mar não lhe lembra mais do passado nem lhe dá alento no futuro, e toda a praia a passa a tratar como uma estranha.
Ela definha com o gelo da manhã e com a indiferença da noite quando dentro do seu peito já nada é capaz de arder.


Ela cria em mim a vontade de desvanecer dentro de uma ampulheta que conte os segundos para tudo o que está para vir e que nunca mais chega. Invade-me o desejo de voltar a capturar imagens congeladas que encontro por tudo o lado e em lado nenhum. Eu e ela fundimo-nos no nevoeiro que cobre a cidade até deixarmos de ser e será aí que nascerá uma nova primavera cheia de possibilidades elevadas a um qualquer expoente. Nós seremos uma quando formos capazes de dormir e de voltar a sonhar em cor-de-rosa...

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Pensamento do dia

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