
Levaste-me a passear e eu divaguei por entre sonhos e campos de papoilas.
As curvas e contra curvas do caminho deixaram-me zonza e desnorteada mas desta vez não me deixei perder de mim.
Seguraste na minha mão com carinho e preocupação e abrandaste para que pudesse aperciar a vista.
Queria muito que a areia da ampulheta encravasse e que deixasse de cair para o lado do passado, pois só assim eu poderia parar e desfrutar das papoilas que me sorriam com a vivacidade da sua cor.
E eu queria mostrar a minha paz através das minhas próprias cores, e queria ser mais deixando-me levar pelo calor e pela brisa, e queria que os meus sonhos ganhassem o sabor a mel e flores do monte…
A paisagem envolveu-nos em momentos mas trouxe-nos de volta com a corrente do rio de ouro: brilhante e reluzente como o sol, frio e saudoso como só ele sabe ser.
Novamente no nosso mundo acordamos para o final de mais um domingo. A tristeza que advem do começo de mais uma semana instalou-se e arrastou-me, juntamente com o peso da responsabilidade, para o embraço dos meus lençois.
Mas hoje trago comigo papoilas,
fortes e destemidas papoilas…
Campos cheios delas
que me enchem de força para enfrentar mais um amanhã.
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