depois de meses e meses de silêncio, acumula-se-me na garganta o grito mudo que sai em melodia. não sei bem como cheguei aqui, mas estou finalmente num lugar onde nem tudo é preto, branco e tons de intermédios. o sorriso que me voa dos lábios já não é só meio sentido e algo dobrado pela força que fazia para que saísse. agora sai de dentro e sobe, sobe até à lua e para além. ainda tenho consciência da inexistência de tudo o que me falta, mas a manta aconchegante de calma e paz impede-me a pele de sentir o arrepio de medo. e respiro fundo como no tempo das flores amarelas da minha infância, e vivo tudo aquilo que consigo agarrar e tocar com a ponta dos dedos, e abro os olhos para sonhar com o que ja tenho e nada mais. sou feliz por estar contente, para já isso chega. recuso-me a contar as horas, os minutos e os segundos para o amanhã que nunca sei quando chegará nem o que trará consigo, porque hoje é certo e seguro e bom. é o hoje que conta. é o hoje que é importante. é o hoje que eu posso viver.
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