quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ilusões fantasiosas
Palavras lidas nas entrelinhas de conversas banalmente profundas
Ilações tiradas de olhares trocados como linhas telefonicas
Sonhos criados a partir da condensação de nuvens em noites de luar
Enganos criados por esperanças que não se admite existirem
Vontades escondidas por detrás de desilusões antigas e recentes
Esperanças usadas como pensos rápidos em cortes na alma
Segundos vividos como se fossem horas para o agora durar eternidades
Certezas tidas quando os talvez deixaram de ser suficientes
Sorrisos confiantes e convidativos projectados sobre receios
Estradas percorridas para diminuir a solidão e a dúvida

Tudo esvanece à luz da realidade e se transforma em nadas




quinta-feira, 18 de julho de 2013

apaixonada por um amanhã

Em frente ao rio que me conhece pelo reflexo de tudo o que alguma vez fui, choro.
Sentada num muro frio de pedra sei que nunca estarei só ainda que nem sempre saiba aceitar a companhia que me é oferecida.
Troco com a ribeira palavras duras e ressentidas mas sei que as engolirei junto com o meu orgulho, de modo a suavizar as imperfeições da calçada da vida.
Perdida entre passeios, desabafo e liberto-me do peso do passado, deixando que a água do rio leve para a foz a mágoa, a tristeza, a desilusão.
Renasço na outra margem e subo para o coração da cidade onde a alegria da rua me contagia.
Solta-se o sorriso com o cabelo, ondulam as ancas ao som da noite, liberto palavras de músicas que conheço como se fossem minhas.
Sou levada pela procissão de porta em porta e religiosamente me entrego em cada paragem ao que sou no momento e em cada paragem me elevo tendo a lua como destino.
O tempo não conta e recuso-me a sair do instante em que vivo só para mim, mas o cansaço leva-me pela mão até aos degraus do topo do mundo e lá me sento olhando para tudo como se fosse pela primeira vez.
Recuso-me a abandonar o meu lugar mesmo quando molhada pela névoa, prenuncio da manhã, que pretende limpar as impurezas deixadas por multidões sem rumo ou propósito.
Deixo o dia surgir e com o amanhecer sou levada em sonhos de amanhãs iguais a hojes.
Corro para a estação de comboio que tantas vezes me viu fugir de medos, de dores, de vidas que nunca quis para mim, mas desta vez não tenho destino: estou exactamente onde quero estar.
Sou feliz porque o mundo é só meu e me ama em toda a minha perfeita imperfeição, as possibilidades são inúmeras e as impossibilidades não existem mais.
Chega o momento da despedida e estico cada segundo ao seu máximo para o saborear calmamente.
Sei que já distribui todos os adeus que podia, ainda que alguns não tenham sido proferidos e sobramos só nós: eu, a noite e o amanhecer, cobertos em desejos de uma vida inteira de muito mais.
Não preciso mais de palavras.
Encho o silêncio com o suspiro e volto para casa na ânsia de começar um novo hoje tal e qual como o de ontem.

Pensamento do dia

Pensamento do dia
A hug