Aos poucos sinto-me a perder-me. O calor de verão escapa-se do meu corpo doente e inerte, deitado nesta cama que sei ser o meu único refúgio da solidão de inverno. Sonho com o que não tenho e que inexplicavelmente tanto quero, mas ao acordar recordo que é só um sonho e recuso-me a estragar o seu doce travo trazendo-o para a realidade. Invade-me a saudade que não sei afogar em lágrimas, infesta-me a alma com seu cheiro a maresia e conquista o meu espírito derrubando a minha força de vontade com o seu sussurro agridoce, quente, desarmante. Procuro-te por um deserto envolto em neblina mas já não te sei e limito-me a ficar assim, perdida em mim sem Norte nem destino. Tomo um paracetamol e espero que tudo passe com o fim da febre. Durmo. Espero para ver se acordo.
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