Tenho saudades de um beijo.
Um simples beijo na boca.
Saudades do calor natural dos lábios de alguém nos meus lábios, do toque suave e húmido que arrepia todo o corpo como um impulso eléctrico, do sabor doce a paixão que vicia.
Não há nada como aquele momento imediatamente antes de um beijo em que nos aproximamos até estarmos a milímetros durante segundos intermináveis.
Quero voltar a respirar o ar expirado por outra pessoa como se assim partilhasse parte da sua alma e isso nos aproximasse ainda mais que a ínfima distancia que nos separa.
Olhar nos olhos de quem nos segura bem perto e ver apenas o agora sem contexto ou cenário envolvente porque só interessa a ânsia que cresce dentro de nós.
Sentir o sangue correr pelo corpo e concentrar-se em locais anatomicamente estratégicos, pulsando e latejando a ritmos crescentes.
Sentir o toque tangente que incita o desejo de entrega tempestuosa que se inicia em gotas de chuva mas depressa é acompanhada por ventos fortes, trovoada, relâmpagos e raios, numa sensação de tormenta e coragem.
Começar com um beijo de lábios nos lábios que cola e custa separar e ir acrescentando a humidade da saliva e a carícia da língua.
Deixar fluir a vontade e intensificar o beijo aumentando a força do contacto e o ritmo dos movimentos.
Agarrar e puxar para mais perto sem medir forças como se o beijo implicasse obrigatoriamente o uso de todo o corpo, entretanto excitado por alternâncias de momentos de firmeza e de contorção.
Saudades.
