A solidão vive dentro de mim tal qual parasita. Esconde-se na escuridão do buraco que cavou na minha alma e alimenta-se das minhas certezas e esperanças. Dói-me a corrosão que provoca de uma forma que não sei explicar. Cria em mim o desespero da falta de amanhãs, apodrece-me o espírito e aos poucos mata quem sou. Sinto-me perder o ar dos pulmões e não tenho força para voltar a inspirar. Largo as lágrimas que com tanto sacrificio guardei, mas não faz mal, já ninguém as vê, não há ninguém para as interpretar nem ninguém para as secar. Recordo o passado e perco conta daqueles que perdi pelo caminho. Tento lembrar-me onde me perdi mas não sei quando foi a ultima vez que me vi. Apodera-se de mim o odio e a lamentação pelo que fiz, pelo que me tornei, por tudo. Sinto-me abandonada e perdida, farta e desesperada, sem rumo, destino ou solução. Estou tão cansada... já chega de me levantar e criar esperanças para voltar a cair...
Depois de derramadas as lágrimas e desabafadas as dores e desilusões fica apenas o silêncio, a escuridão, a apatia e a solidão. O hoje chega ao fim e não quero o amanhã. Agarro-me ao limbo do agora e forço em mim o fim da rotação da Terra como forma de parar o tempo. Talvez se não houver um amanhã eu não queira tanto o fim. Estou esgotada pelos altos e baixos, pela falta de orientação e propósito. Só quero fechar os olhos, adormecer e não acordar mais.