Não sei bem onde estava quando te vi pela primeira vez mas sei que foi o destino e a maré que nos juntou no meio de milhares de pessoas. Sei que quando percebi estavas ao meu lado e que olhaste para mim e me viste a olhar para ti. Foi esse o primeiro sorriso que te dei. Estava feliz por fazer parte da multidão e queria que todos soubessem que finalmente estava onde pertencia e que estava ali independentemente de tudo o que o mundo me foi dando e tirando ao longo do tempo. Estava completa e apesar da solidão, que só uma multidão daquelas sabe transmitir, estava bem sendo apenas eu. Mas sempre que o meu olhar passava na tua direção parecia que adivinhavas pois também tu olhavas para mim e eu sorria. Quis seguir o meu caminho e mergulhar no meio da confusão e da música mas a vontade de voltar a olhar para ti foi tornando-se cada vez mais forte e foi assim que o teu olhar me prendeu os pés à terra e tornou o meu coração leve como se estivesse cheio de hélio. A música parou de tocar e a realidade fez-me regressar ao meu lugar que não era ainda ao teu lado. Juntaste toda a coragem que conseguiste e vieste falar comigo. Em segundos trocamos palavras que nem nada tinham a ver com o que na nossa cabeça ensaiamos. Mas tudo em ti me fez sorrir e querer parar o tempo para poder simplesmente ficar ali naquele momento.
Foi em três noites, de breves encontros envoltos em música e gente, que nasceu a vontade de mais, vontade essa que não quero perceber nem sequer medir, com medo que a sua imensidão seja avassaladora e que o medo me retraia. E então termina a desculpa diária para te encontrar no mesmo lugar de sempre e deixa de haver um palco onde residia a razão para ali estarmos e surge a necessidade de tomar decisões sobre o amanhã. E penso: será que posso deixar tudo nas mãos do destino?... Não. Ou arrisco ou esqueço. Arriscar implica expor-me ao medo mas esquecer não é sequer uma possibilidade...
Não te resisto e aprecio cada segundo como se fosse único e cada momento como se fosse um dos últimos. Dou-me a ti mas a sombra do passado faz-me espreitar em cada esquina pelo sinal... da mesma forma como não quero ter esperanças também não me quero encher de pensamentos negativos. Quero só aproveitar o agora quando estou contigo, só isso. Quero olhar nos teus olhos e ser seduzida pelo teu olhar, ao som das tuas histórias. Quero decorar o teu sabor a certezas e a inexperiência. Quero sentir-te na ponta dos meus dedos e embriagar-me com os sorrisos que tu provocas em mim. Quero perder-me na cidade que tu me mostras e não ser mais capaz de regressar ao meu mundo. Quero dizer-te quem sou e não sei como quando há tanta coisa que me define e me explica. Mas tu sabes ler-me e decoras-me como um medley de um filme que viste vezes sem conta e surpreendes-me a cada dia que passa. Ao ouvir-te recitar-me fico maravilhada com a precisão das palavras e com a sensação de felicidade que nasce dentro de mim de forma tão natural e plena. És como um dia de verão que me preenche de sol e calor, que me acaricia com a sua brisa, que me encanta com a facilidade com que me faz feliz.
E tu não sabes mas não faz mal porque às vezes os momentos são perfeitos mesmo quando nem tudo corre como imaginamos ou como pensávamos que queríamos. O tempo deixa de ser mensurável quando estamos juntos e não te sei explicar porquê só sei que assim é. Tudo se torna mágico, as músicas ganham novo sentido e a minha imaginação enche-se de imagens que não quero partilhar com ninguém para que nunca se esvaneçam. E custa tanto o adeus mesmo quando sei que é apenas um até amanhã. A despedida, essa é feita sempre a dois pois todo o mundo desaparece como se fosse um filme e nós os protagonistas.
E então fico de novo a sós mas cheia de músicas tuas e de vontades minhas. Sento-me no passeio, enquanto espero pelo gato que sei que irá eventualmente aparecer, e penso ti e em que sorte é a tua: quero-te tanto. E a chuva que cai não me desanima pois lava tudo para não olharmos mais para trás. Sei que irei pousar a cabeça na almofada e respirar satisfeita, quero o teu amor sem sentido nem proveito. Carrega stop, faz rewind, por favor volta para trás... eu vim dar mais que um beijo igual a mil... You don't know but that's ok, you might find me anyway. Don't you know I belong arm-in-arm with you baby?