Todos os dias escreves um pouco no livro da minha vida e preenches as páginas brancas de tudo o que ainda não vivi. Com cada palavra me acaricias, com cada vírgula me excitas com a possibilidade de um amanhã tão bom como o ontem e sem a pausa do hoje. E sim, reparo na hesitação no uso de pontos finais mas tento não interpretar isso da forma que mais quero, ou seja, como sendo a tua vontade de não termos fim. E peço te desculpa se às vezes desfolho a vida com alguma pressa de chegar até nós e se nos releio na ânsia de não deixar escapar nenhuma figura de estilo ou adjectivação que me leve a fechar os olhos e imaginar o que possa ser escrito nas páginas que ainda estão em branco. Quero ler-te em todas elas, encontrar em cada dia, e dou por mim a desejar um futuro igual ao das séries, com um final feliz em cada episódio e querer que estejas presente mesmo que seja um dia mau. Tu já fazes parte. Já estás gravado a caneta, sem que exista a possibilidade de te riscar sem deixar marcas. E mesmo que um dia vire a página e não te leia mais, sei que voltarei a trás para matar saudades e ler-te-ei vezes sem conta até deixar de acreditar que o capítulo seguinte só será bom se te mencionar como personagem principal. Quero-te tanto. E este querer traduz-se numa vontade incontrolável de para sempre que tenho vergonha de admitir, com medo de parecer infantil sonhar com um conto de fadas.
O tempo que passo contigo nunca parece suficiente e isso habitualmente transparece nas longas despedidas em que qualquer motivo é um bom motivo para adiar o até amanhã para amanhã. Mas às vezes temos mesmo de nos separar, ainda que hesitemos recorrentemente até ao momento em que partimos cada um para o seu lado. E finalmente volto para o meu mundo solitário onde apenas posso sonhar contigo, pelo que com a mais calma das urgências pouso a cabeça na almofada, e a abraço na vã esperança que se transforme em ti assim que entre na terra dos sonhos. Quero-te presente em cada segundo, em cada inspiração, em cada página.
Simpatizo com essa ideia absurda de me fazeres feliz por um tempo indeterminado e de em troca apenas ter de te fazer feliz também.
You have entered my soul... keep in mind that this is me at my truest form.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Histórias a dois
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A hug
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