Quando foi que te esqueceste da cor doce dos meus olhos que para ti sempre olharam com espanto e entusiasmo? Quando foi que passaram a ser olhos normais que simplesmente te observam, que te assustam e talvez te pareçam julgar? Quando deixaram de te fascinar e de ser apaixonantes, quem sabe até hipnotizantes?
Quando foi que o meu sorriso passou de cativante para assustador? Quando deixou de ser o motivo pelo qual nos conhecemos e passou a ser motivo para a desconfiança do que possa esconder? Quando foi que deixaste de me sorrir de volta?
Quando foi que o meu toque passou de quente e apaixonado para quente e incomodativo? Quando foi que me beijaste apaixonadamente pela ultima vez? Quando é que deixaste de me querer perto de ti, de sentir o meu corpo no teu?
Quando é que tudo acabou? é que eu não vi o fim...
Dizes que me amas mas sem paixão, sem carinho, sem falta. Não reconheço esse tipo de amor. Troquei os sonhos pelo que estás disposto a dar, troquei a paixão pelas regras do que posso ou não fazer, troquei o desejo de te ter pelo contentamento de beijos e o contentamento de beijos pela troca de olhares com um sorriso ténue. Os risos espontâneos foram-se com os passeios, as fotos e os autocolantes. E o anseio pelo mínimo carinho mostra a sua raridade. Mas eu aceitei. Aceitei tudo pelo amor que te tenho e pela esperança de que amanhã seja um novo dia e com ele venha o rapaz de barba farta que me conquistou em 3 tempos. Tu dizes que estou enganada que na verdade tu não és nem nunca foste como sempre te vi. Não quero acreditar que o amor da minha vida não passou de imaginação minha. Penso que é só mais uma fase. Uma fase que não passa e em vez de melhorar piora.
Não sei quando foi que o meu conto de fadas terminou e se instalou uma realidade crua e fria, mas não estou pronta ainda para admitir o seu fim. Por detrás das lágrimas ainda tenho força para lutar por ti e por nós. E eles dizem que amar é bom se houver no fundo de um de nós alguma solidão, dizem que sentir não é mostrar e dar não é sentir é morrer em paz. Houve um dia em que estive pronta para morrer. Hoje não estou e deixar o nosso amor morrer é deixar uma parte de mim morrer com ele.
You have entered my soul... keep in mind that this is me at my truest form.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
terça-feira, 21 de junho de 2016
Encontrar a força
Eu sou forte. A minha força vem de dentro e solto-a de mim com um suspiro, um respirar mais profundo. Mas para não sofrer defendo-me escondendo-me por detrás do muro que construí ao longo de anos, distanciando-me da minha própria pele. A frieza ajuda a enfrentar e a esconder as lágrimas mas tal como uma máscara engana quem me rodeia. Para quem me é importante não é justo. Mas mostrar quem sou é mostrar o quanto me dói, é partilhar lágrimas, palavras, sentimentos. Sou capaz de enfrentar os meus maiores medos ainda que o faça com a maior precaução porque a vida ensinou-me que há coisas que não conseguimos ultrapassar e que todos temos os nossos limites.
Por detrás do meu muro nada me toca, nada me afeta, nada me derruba. Mas também não vivo. Fico sem sentir o mau mas também o bom. Torna-se difícil decidir o que fazer.
Hoje tomo a decisão de respirar fundo e afastar me, para reunir a força para enfrentar a impotência perante determinadas situações e para reprimir as lágrimas à frente de determinadas pessoas. Hoje tenho de ser mais do que a neta que colocavas em cima da bancada da cozinha, tenho de ser adulta e cuidar de ti como tantas vezes cuidaste de mim. Por detrás deste muro posso ter o carinho mas não a pena, posso ter o cuidado mas não a compaixão, posso ser eu mas não totalmente. Sou quem preciso de ser ainda que talvez não quem tu precises que seja, sou quem posso ser.
E se eu encontro a força para o teu lado negro preciso que também tu a encontres e que lutes comigo. Mas se não encontrares sabe que te amo e que te perdoo caso tenhas de me abandonar.
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