Por detrás do meu muro nada me toca, nada me afeta, nada me derruba. Mas também não vivo. Fico sem sentir o mau mas também o bom. Torna-se difícil decidir o que fazer.
Hoje tomo a decisão de respirar fundo e afastar me, para reunir a força para enfrentar a impotência perante determinadas situações e para reprimir as lágrimas à frente de determinadas pessoas. Hoje tenho de ser mais do que a neta que colocavas em cima da bancada da cozinha, tenho de ser adulta e cuidar de ti como tantas vezes cuidaste de mim. Por detrás deste muro posso ter o carinho mas não a pena, posso ter o cuidado mas não a compaixão, posso ser eu mas não totalmente. Sou quem preciso de ser ainda que talvez não quem tu precises que seja, sou quem posso ser.
E se eu encontro a força para o teu lado negro preciso que também tu a encontres e que lutes comigo. Mas se não encontrares sabe que te amo e que te perdoo caso tenhas de me abandonar.
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