sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Inícios de Outono

Começaram as cair as folhas. Eu tento ignorar os sinais agarrando-me à esperança de que ainda não está na hora, que ainda temos tempo. Mas a verdade é que já nos falta a energia dos dias de verão e o sorriso fácil de primavera. Ainda não chegou o frio mas os teus braços já não me abraçam e me aquecem a alma como faziam nos dias intermináveis, antes do solstício. Sabes quando foi que deixamo-nos invadir por todo este espaço quando no inicio era estarmos longe que era o complicado? Agora difícil é ver-te e sentir-te e ter-te. Não admito o que os meus olhos vêm porque a pele ainda se arrepia com a brisa morna destes dias e portanto as folhas caídas do chão são ainda e apenas um prenuncio de algo que aí vem e que não me atrevo a pronunciar. Sei bem o seu nome mas não quero que pense que o chame quando na verdade só quero gritar a plenos pulmões pelo sol, pelo mar, pela música de verão que me seduziu. Eu sei. Não sou burra. E se um dia acreditei que era o destino que tinha feito de mim uma rapariga do Verão foi por amor, foi por esperança, foi por desejo de mais. Ainda me vejo vestida de verão mas agora sou uma mulher amadurecida. Ainda amo mas já não cometo as mesmas loucuras. Ainda tenho esperança mas já não me deixo levar, nem te sigo cegamente. E talvez deseje cada vez mais, sonhe cada vez mais, queira cada vez mais. A minha força, o meu valor, a minha inteligência querem destruir a minha miragem de ti, aquela que guardo com todo o cuidado, para não danificar, dentro da minha caixa forrada a cetim e com almofada de pétalas. Não quero deixar, não te quero deixar. Mas o que posso eu fazer quando vier o frio dos dias de Inverno, aqueles que não me amam e não me acarinham e não me dão importância. Morrem um pouco todos os dias as promessas dos dias de Verão. Esvanece na neblina o sonho de um futuro à beira mar preenchido de risos e trocas de segredos, de caminhadas e de horas de conversa, temendo que o silencio traga o fim de mais um dia. Agora só tenho silencio, as minhas palavras perderam a graça que outrora tiveram e as tuas já nem se ouvem. Tenho medo de ir e perder os últimos raios de sol, tenho medo de ficar e de permitir que o meu coração arrefeça, endureça, definhe como as folhas das árvores. No meio da ponte, entre o local onde vivo e o local onde sempre viveu o meu coração, contemplo o rio de ouro que corre sem pressas e que brilha no meu olhar, aprecio a imensidão do mar e o seu abraço apertado com o céu. O dia está a terminar. O verão já acabou. Mas eu ainda não estou pronta para seguir viagem. Talvez em breve. Mas não para já. Amanhã...

Pensamento do dia

Pensamento do dia
A hug